quinta 22 outubro 2020
Editorial

Sinal amarelo

 Um decreto em gestação na Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo colocou em estado de alerta máximo as lideranças políticas e comunitárias da microrregião de Jales.

Caso não haja uma grande mobilização capitaneada pelas chamadas forças vivas e atuantes da região em parceria com os detentores de mandatos em nível local e regional, a Delegacia Seccional de Polícia de Jales corre o sério risco de ser riscada do mapa.

A extinção da Seccional faz parte do pacote de medidas que serão implementadas pelo governo estadual para redução do déficit orçamentário que, segundo se comenta, estaria em torno de R$ 10 bilhões.

Para reduzir ou zerar este bilionário déficit, o governo resolveu usar o facão, o que vem preocupando vários setores da administração estadual, inclusive alguns deputados da base do governo.

Fala-se em extinção pura e simples de órgãos governamentais como, por exemplo, as Casas da Agricultura, eficientes instrumentos de extensão rural nos municípios e únicas ferramentas técnicas ao alcance de agricultores familiares, sitiantes e pequenos proprietários.

Quanto à Polícia Civil, o decreto é específico e diz em seu Artigo 4º que a existência de Delegacias Seccionais de Polícia só poderia existir em municípios com mais de 150 mil habitantes e em região de importância geopolítico-administrativa ou em razão da distância territorial de determinado grupo de municípios em relação à sede do Departamento.

Ora, se é verdade que Jales não tem 150 mil habitantes também não é menos verdade que a sede da Seccional é centro geopolítico-administrativo de uma vasta região , em torno da qual gravitam habitantes de 22 municípios, distantes 150 quilômetros do Departamento de Polícia do Interior da 5ª Região (Deinter-5), que fica em São José do Rio Preto.

Um dado suplementar que não pode ser ignorado e que justifica plenamente a existência da Seccional é a localização estratégica de Jales, que está próxima à fronteira com os estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais e com acesso a Goiás e Mato Grosso. O lado paulista forma a chamada Região dos Grandes Lagos, com intensa atividade turística.

Ninguém ignora que os traficantes de drogas têm usado cada vez mais a chamada “rota caipira”, via Rodovia Euclides da Cunha, para desovar nos grandes centros a droga produzida no Paraguai e que passa pelos estados vizinhos já citados no parágrafo anterior.

Tudo isto sem contar a assistência médico-hospitalar sintetizada pela existência da unidade do Hospital do Amor, que atende 92 municípios, e Santa Casa, porta de entrada de pacientes de 16 municípios e tantos outros de estados vizinhos.

Assim, resta às lideranças da cidade e região levantarem-se em defesa do interesse público como já fizeram em outras oportunidades impedindo que se cometa uma insanidade em termos administrativos.

Nenhum corte no orçamento justifica deixar a segurança pública de uma região estratégica sem a proteção das forças policiais.


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