Editorial

Sinais de alerta

Na última quinta-feira, 18 de fevereiro, a Santa Casa de Fernandópolis completou um ano sob intervenção judicial, o que levou o jornal “Cidadão”, de grande credibilidade, a publicar ampla matéria com chamada de seis colunas na capa.

Segundo o jornal, o interventor judicial Marcus Chaer concedeu entrevista coletiva e revelou que em quase 12 meses de auditorias, diversas irregularidades foram descobertas e encaminhadas ao Ministério Público. Além disso, a Santa Casa ainda responde por vários processos acumulados no decorrer de gestões anteriores. Para agravar ainda mais a situação, mesmo com a política de redução de custos em todos os setores operacionais, a entrada de recursos ainda é insuficiente, o que tem resultado mensalmente em déficit e mantido a dívida que, acumulada, está em torno de R$ 60 milhões.

E, este cenário de terra arrasada foi definido pelo interventor judicial como “herança maldita” e sugeriu eleger uma mesa diretora composta por representantes da Prefeitura, Câmara Municipal e, para surpresa dos comunicadores presentes, da imprensa.

Pois bem, situação diametralmente oposta vive a Santa Casa de Jales, atualmente sob o comando Carlos Toshiro Sakashita, alçado à Provedoria no final de 2019, eleito por unanimidade, tendo iniciado sua gestão no primeiro dia de 2020.

Empresário binacional, com negócios no Brasil e Japão, o experiente Toshiro , ao contrário do interventor judicial de Fernandópolis, recebeu uma “herança bendita”, com R$ 4 milhões e 500 mil em caixa.

Este equilíbrio financeiro não caiu do céu, mas foi fruto de uma sequência de boas administrações—José Terron Spina, que ficou 10 anos na Provedoria; José Devanir Rodrigues, o Garça, mais seis; José Pedro Venturini, outros três e, mais recentemente, Junior Ferreira, igualmente três.

Porém, não dá para dormir sobre os louros. A pandemia está exigindo da atual Mesa Diretora cuidados de ourives suíço, pois os repasses governamentais para combate ao coronavírus são carimbados e direcionados exclusivamente à Unidade especializada, cujo funcionamento, com a ocupação de espaço físico, teve efeito colateral derrubando boa parte do faturamento da instituição com a suspensão de cirurgias eletivas, especialmente de particulares e convênios.

Além do mais, o governo João Dória cortou 12% da verba relativa a dois programas de auxílio a hospitais filantrópicos — Pró-Santa Casa e Santas Casas Sustentáveis— atingindo 180 Santas Casas, inclusive a de Jales.

Ou seja, o desafio do atual comando da Santa Casa e equipe de trabalho é, apesar do momento de adversidade, fazer a travessia de forma segura, mantendo o equilíbrio duramente conquistado.


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