Editorial

Sinais de alerta

O decreto municipal assinado pelo prefeito Flávio Prandi Franco estabelecendo obrigatoriedade do uso de máscaras em estabelecimentos comerciais e repartições públicas, dado a conhecer no último dia 29 de abril, veio no tempo adequado.

O melhor documento de prova de que o chefe do Executivo agiu bem ao editar o decreto é a entrevista publicada naquele mesmo dia pelo jornal “Folha de S. Paulo” com o dr. Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, na qual ele defende o uso obrigatório de máscaras, inclusive as de pano, em ambientes coletivos em todo o país como forma de diminuir o contágio do novo coronavírus.

Na matéria assinada pela jornalista Cláudia Colucci, repórter especial da Folha, outra afirmação incisiva do dr. Chapchap: “não é hora de afrouxar o isolamento social porque o pior da pandemia ainda não aconteceu”.

Sob este aspecto vale relembrar o que escreveu o professor mestre Eduardo Britto em texto publicado pelo Jornal de Jales na edição de domingo passado, 26 de abril, que é mais um sinal de alerta para a população jalesense.

 Segundo ele, qualquer que seja a posição adotada nesta atual situação pandêmica, um relevante estudo realizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp-Presidente Prudente precisa ser levado em conta.

Está no texto publicado que, de acordo com o Prof. Raul Guimarães, do Laboratório de Geografia da Saúde na Unesp, a expansão do vírus ocorre por meio dos principais eixos rodoviários que conectam a capital com o interior. Após atingir esses municípios centrais do interior, Guimarães afirma que os centros urbanos de maior porte e que têm forte relação com estes centros regionais serão os mais atingidos.

Britto vai ao ponto quando adverte: “em relação a Jales, a preocupação é ainda maior, pois a cidade está localizada num raio de 150 quilômetros de três centros regionais considerados na pesquisa: São José do Rio Preto, Araçatuba e Votuporanga”.

A proximidade preocupa porque, Jales tem uma forte capacidade urbana por estar no centro de uma microrregião estadual com 23 cidades do entorno que somam mais de 150 mil habitantes.

O professor acrescenta ainda que a cidade, quando comparada aos municípios de sua microrregião, é a única que abriga o hospital com maior número de leitos, a Santa Casa, com 144 leitos normais e mais 10 leitos na UTI, uma unidade do Hospital de Amor, o maior corpo clínico, grande rede de lojas de departamentos, além de unidades federais da Justiça, Ministério Público e Polícia, conectada com os 23 municípios por meio de estradas e rodovias.

E arremata: tem-se então pequenos eixos de mobilidade de pessoas e, o que é pior, contaminação.

 Levando-se em consideração os eixos rodoviários que ligam Jales com os centros regionais analisados na pesquisa da Unesp —rodovias Euclides da Cunha (Votuporanga), Washington Luiz (São José do Rio Preto) e Elieser Montenegro Magalhães (Araçatuba) — nossa cidade torna-se assim uma via expressa do Covid-19 para quem mora aqui.

Em resumo, todo cuidado é pouco!


Desenvolvido por Enzo Nagata