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Show de horrores

por Lucas Rossafa
22 de outubro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
O futebol no país caminha a passos largos rumo à decadência e não há nenhum remédio para solucionar o problema de imediato. Embora a Seleção Brasileira tenha se classificado à Copa do Mundo sem grandes dificuldades, o nível do Campeonato Brasileiro é assustador.
Desde que o sistema por pontos corridos foi introduzido na principal competição nacional, nunca se viu tantas equipes brigando para fugir da zona de rebaixamento. Após 29 rodadas, doze equipes, no mínimo, tentam evitar o pior e, por incrível que pareça, não há nenhum perseguidor ao líder Corinthians.
O que se vê em 2017 é uma piada de mau gosto com o torcedor – depois os estudiosos não entendem por que as pessoas têm preferido a modalidade europeia. Dono de uma campanha invejável no primeiro turno, com 47 pontos conquistados dos 57 possíveis, o Timão, enfim, caiu de rendimento. O desempenho atual, na verdade, é aquilo que se esperava dos comandados de Fábio Carille no torneio. O ponto fora da curva, entretanto, é o que ainda mantém os paulistas no topo com tranquilidade. Dentro das quatro linhas, ainda que o provável campeão esteja manjado pelos adversários e a tão elogiada defesa seja alvo de críticas, nada muda.
A disputa mais acirrada na parte de cima, por enquanto, é pelo vice-campeonato, cuja premiação é de R$ 11,3 milhões. Quatro times competem pela segunda colocação, mas nenhum mostra força, regularidade e competência para sonhar mais alto. O Grêmio, focado na semifinal da Copa Libertadores da América, o Cruzeiro, já garantido no certame continental, o Santos, com futebol deplorável, e o Palmeiras, com tantos tropeçoscomo mandante, não apresentam vitalidade para lutar pela taça.
Neste ano, os jogos têm sido cada vez mais monótonos, sem emoção e com mais vontade do que técnica e organização tática. Não se vê uma jogada bem trabalhada – seja por meio ultrapassagens ou tabelas. O excesso de cruzamentos, passes errados e faltasirritam e atrapalham o espetáculo. O retrocesso pode ser observado, também, nas escalações, haja vista quase nenhum treinador ser ousado para abdicar de um meio campo mais marcador e apostar na ofensividade.
A impressão é a de que os clubes jogam para não sair derrotados e dispensam o controle dapelota, explorando os contra-ataques e a bola parada. O técnico santista Levir Culpi é a prova viva de incompetência e falta de ousadia por aqui: diante da Ponte Preta, em Campinas, chegou a abrir mão de três substituições para segurar uma igualdade, mesmo com um a mais.
A atual edição do Brasileirão é decepcionante e catastrófica. O público paga caro, assiste apresentações que não empolgam, finge estar satisfeito e, no fundo, é feito de palhaço. Em outras palavras, é um show de horrores que a imprensa busca abafar.