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Sem sal nem açúcar

por Lucas Rossafa
09 de outubro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Permanência de boa parte do elenco campeão brasileiro, contratação de reforços, teoricamente, pontuais, milhões investidos com aporte do principal patrocinador e expectativa de uma temporada promissora. Aliados, esses fatores fizeram com que o torcedor do Palmeiras pudesse sonhar alto – e com razão. Dez meses depois, com o ano quase no fim, a realidade é bem diferente.
O primeiro grande equívoco do presidente Maurício Galiotte aconteceu em maio. A troca no comando técnico serviu para evidenciar que os dirigentes palestrinos não falam a mesma língua. A falta de critério na mudança de Eduardo Baptista por Cuca impressiona, haja vista a diferença brutal entre as duas visões de futebol. Antes, embora sofresse para vencer os jogos e evoluísse aos poucos, o Verdão apresentava um padrão fixo, com esquema tático pré-estabelecido.
Essa substituição trouxe prejuízos e fez com que Cuca levasse um bom tempo para definir os seus titulares. Tanto é que, somente no final de agosto, o técnico teve mais convicção sobre os 11 ideais. Tal atraso teve como consequências a falta de um modelo de jogo, problemas no setor de criação, ausência de jogadas ensaiadas e excesso de cruzamentos. Somado a isso, a queda de produtividade de algumas peças da equipe, como Zé Roberto, Tchê Tchê, Róger Guedes e Dudu, nomes fundamentais na campanha do título nacional em 2016.
A insensatez também incomoda. Deyverson, contratado por R$ 18 milhões (absurdo I), não é a melhor opção para ser a referência ofensiva. O ex-atleta do Alavés vem tendo sequência, mas ainda não corresponde às expectativas. Por sua vez, Miguel Borja – custou R$ 33 milhões (absurdo II) aos cofres da Crefisa – estreou balançando as redes, mas não engrenou. No entanto, a situação é oposta. Apesar de não ter sido indicado por Cuca, é preciso que o treinador dê oportunidades ao colombiano, cuja confiança é zero. O próprio chefe já prometeu dar continuidade ao camisa 9. Todavia, a última vez em que o atacante jogou os 90 minutos foi diante do Vasco, há cinco meses. Agora, quando entra, é sempre na reta final.
Além disso, o planejamento para a temporada seguinte precisava ter sido iniciado após a eliminação na Libertadores, uma vez que as chances de alcançar um título já eram quase nulas. Agora, mesmo atrasado, Galiotte tem a obrigação de traçar estratégias básicas, sobretudo no que diz respeito à montagem do elenco. Essa definição passa, prioritariamente, pela seleção de quais atletas serão úteis ou não a partir de janeiro – 20 retornam de empréstimo e apenas Victor Luís e João Pedro devem permanecer.
Assim, a estrutura de jogo questionada, o mal relacionamento com alguns jogadores e a incoerência nas escolhas fazem com que a versão de 2017 não dê liga. Em outras palavras, o Palmeiras é, hoje, um time sem sal nem açúcar.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)