jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Sem desculpas

por Lucas Rossafa
15 de maio de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Em menos de 24 horas, Eduardo Baptista caiu do comando técnico do Palmeiras e abriu espaço para a volta de Cuca. O clima agitado apósa derrota na Bolívia traz à tona discussões inerentes aosbastidores de quem gere o futebol no clube, além do trabalhomalsucedido do antigo treinador e da postura contraditória – e até imperdoável – da diretoria alviverde.
A rapidez nas negociações deixou evidente que a sombra do treinador campeão brasileiro em 2016 foi o principal motivo da demissão. A impressão é que Cuca não vem para ocupar o lugar de Baptista, mas sim que Eduardo ficou cinco meses guardando a vaga que sempre foi de Cuca. O acerto relâmpago deixa a sensação de que as duas partes já estavam apalavradas há muito tempo, somente esperando a primeira instabilidade à frente do time.
O futebol não pode ficar só em números. Apesar dos 66,6% de aproveitamento nos primeiros meses da temporada, a equipe pouco evoluiu e apresentava uma dificuldade absurda para vencer os jogos. No entanto, é fato que o ex-técnico não é o único responsável pelo baixo desempenho. Vitor Hugo, Zé Roberto, Tchê Tchê, Borja e Dudu são alguns dos atletas que estão muito abaixo do que podem produzir, sem contar que o Alviverde ainda sofre com as perdas de Moisés – lesionado em fevereiro e que só volta no segundo semestre – e de Gabriel Jesus. O tão badalado elenco, cuja folha salarial atinge R$ 15 milhões/mês, ainda não mostrou tudo o que pode.
Quando os mandatários falam a mesma língua, a probabilidade de êxito é grande. No entanto, o início da Era Galiotte dá mostras de que a nova gestão enfrenta sérias dificuldades para se entender. As diferenças entre os dois técnicos são gritantes e qualquer um pode observar isso. Cuca é mais ofensivo e objetivo, ao passo que Eduardo Baptista preza pela disciplina defensiva e posse de bola.
Essa quebra brusca de estilos deveria ser considerada por quem o contratou. Erro infantil dos diretoresque, por pouco, não assinaram vínculo até dezembro de 2018. Antes da demissão, o presidente Maurício Galiotte encheu o peito para falar que o manteria até o fim do ano, quando terminaria seu contrato. O mesmo Galiotte, dias depois, explicou a saída “por falta de evolução técnica do time”. Como confiar em discursos tão contraditórios? A falta de credibilidade e de postura é inaceitável, pois joga no lixo os primeiros 150 dias do ano.
Enquanto o imediatismo – resultado em curto prazo – e a paixão/pressão dos torcedores falarem mais alto no futebol brasileiro, a troca do comando técnico será constante. E os próprios treinadores são responsáveis por isso. Aliás, a palavra vale muito pouco neste mercado e o comportamento ético some em detrimento do emprego, mesmo que temporário.
Assim como em 2016, quando assumiu a vaga de Marcelo Oliveira depois da queda precoce na Libertadores, Cuca é efetivado com muitas responsabilidades. A única certeza é a de que, independente do treinador, há obrigação de conquistar o título continental. E não haverá desculpas se isso não acontecer.