Arquibancada

Seis anos do vexame

O dia 8 de julho de 2014 era para ser histórico e foi. Mas da pior forma para qualquer torcedor brasileiro. O primeiro tempo terminou 5 a 0, após os 90 minutos o placar era 7 a 1 e desta forma o Brasil sofreu seu maior vexame na história do futebol.

Chegar na semifinal de um Mundial com tantos jogadores questionáveis e uma comissão técnica ultrapassada, já é milagre, e o vexame foi apenas a consequência de uma seleção despreparada tecnicamente, psicologicamente e que tinha por traz disso uma CBF incapaz de comandar o futebol nacional de forma decente.

A escolha por Luiz Felipe Scolari como técnico da equipe foi o primeiro erro e a ilusão com o título da Copa das Confederações, em 2013, apenas escondeu as falhas de um time recheado de problemas. Apostando na família Scolari, campeã um ano antes, Felipão deixou de fora da Copa atletas que viviam grande fase no futebol europeu como Miranda e Filipe Luís, preferiu convocar o jovem Bernard ao invés do experiente Robinho, e pagou caro por isso no desastre diante dos alemães.

Os treinos sérios eram raridade na Granja Comary e as brincadeiras nas redes sociais se tornaram rotina durante o Mundial. O Brasil não fez nenhum jogo bom na Copa e a eliminação já poderia ter vindo diante do Chile. No confronto com a Colômbia, o time de Felipão venceu por 2 a 1, mas a tragédia aconteceu quando Neymar se lesionou após entrada criminosa do lateral Zuñiga.

Sem o camisa 10 e também com a ausência do capitão Thiago Silva, suspenso depois de levar o segundo cartão amarelo, Scolari optou pelas entradas de Bernard e Dante no confronto com os alemães e isso foi mais uma consequência para a trágica tarde de 8 de julho.

A seleção brasileira era fraca, mas o principal motivo da goleada vista em campo, foi o despreparo da equipe desde o momento que Julio César e David Luiz seguraram a camisa de Neymar no hino nacional, até a bagunça vista em campo nos 11 jogadores que vestiam amarelo. Exemplos disso foram o próprio camisa 4 que virou quase um atacante quando a Alemanha começou a marcar os gols, e a dupla Luiz Gustavo e Fernandinho que não se encontrava na marcação dos rivais e deixava um buraco no meio-campo.

O 7 a 1 precisava servir como uma lição para o Brasil dentro e fora de campo, mas seis anos depois isso infelizmente não acontece. Hoje Tite faz bom trabalho na equipe, a qualidade dos jogadores também é maior, porém a incompetência da CBF continua a mesma, a maioria dos técnicos são ultrapassados, o calendário do futebol brasileiro ainda é absurdo e o choque necessário para uma grande mudança está distante de se tornar realidade.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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