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Segunda fase da “Operação Asclépio” prende secretária de universidade em Fernandópolis

Por Franclin Duarte (de Fernandópolis)
28 de abril de 2019
A segunda fase da “Operação Asclépio”, nome em referência ao Deus da Medicina na mitologia grega, deflagrada pela Polícia Civil de Assis, resultou na prisão da secretária da Universidade Brasil, suspeita de integrar a quadrilha que vendia vagas em cursos de medicina. Edna Maria Alves foi presa em casa na segunda-feira, 22, e foi levada para a penitenciária de Pirajuí na região de Lins. As duas fases da operação já resultaram na prisão de 18 pessoas, três delas em Fernandópolis. 
O delegado da Delegacia Seccional de Assis, Ricardo Fracasso, que coordena as investigações, explicou em entrevista à TV Tem, que após buscas na residência e no local de trabalho de Edna em Fernandópolis, foram encontrados fortes indícios de sua participação na quadrilha o que levou a decretação de sua prisão preventiva cumprida nesta semana. 
“Ela mantinha contatos com o principal mentor da organização criminosa e articulador da venda de vagas, ficando com a incumbência de concretizar as matriculas dos alunos no curso de medicina em Fernandópolis”, disse o delegado. Na residência da secretaria foi apreendida ainda a quantia de R$ 25 mil em dinheiro que a polícia acredita ser parte de sua participação no esquema.
Em nota, a Universidade Brasil diz que “é vítima do esquema de fraudes envolvendo vagas de medicina em faculdades privadas no interior de São Paulo”. A Instituição revelou ainda que abriu sindicância interna para apurar eventuais responsabilidades e afirma estar à disposição das autoridades para auxiliar em toda a investigação policial.
O CASO
A Polícia Civil de São Paulo, por meio da Delegacia Seccional de Polícia de Assis – Deinter-8, em parceria com o Ministério Público, deflagrou no dia 12 de abril, a Operação Asclépio, com objetivo de combater organização criminosa que realizava fraudes em vestibulares para curso de medicina. Dezessete pessoas foram presas no dia 12, duas delas em Fernandópolis. 
As investigações começaram em abril de 2017, quando os diretores da FEMA - Fundação Educacional de Assis suspeitaram do ingresso de cinco alunos. Quando foram efetuar a matrícula do curso, a biometria não coincidia com a digital do dia da prova do vestibular. 
Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram Adeli de Oliveira, vereador em Murutinga do Sul, região de Presidente Prudente, como  o principal articulador da fraude. Ele vendia as vagas para os cursos de medicina e também as transferências de alunos para outras faculdades. O valor cobrado por vaga seria de R$ 80 mil a R$ 120 mil por estudante.
Com o avanço das diligências, apurou-se que a organização criminosa era composta de três grupos, todos interligados: 1° Grupo Familiar; 2º Grupo dos Captadores e vendedores de vagas; e 3º Grupo de Intermediários na Universidade Brasil.
O primeiro grupo da organização criminosa era comandado por Adeli de Oliveira, que coordenava detalhadamente todas as ações, assim como que se vale dos trabalhos de vários subordinados, seus familiares, para organização, preparação das ações criminosas, recebimento e ocultação dos proventos ilícitos.
O segundo grupo surgiu pela necessidade de trazer captadores e vendedores de vagas, pois como o número de alunos é enorme, Adeli de Oliveira, apenas com seus familiares, não teria condições de atender a oferta de vagas em Universidades particulares e a procura dos alunos, valendo-se de outras pessoas para compor o esquema criminoso.
O terceiro grupo, segundo a polícia, era composto por pessoas ligadas a Universidade Brasil, que possui faculdade de medicina com campus em Fernandópolis, sem os quais seria impossível o êxito do engenho criminoso, sendo identificados também como integrantes da organização criminosa. 
A operação contou com a participação de 350 policiais civis apoiados em cada região do Estado, Policiais Civis de Minas Gerais e Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo.