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SEÇÃO LIVRE de 17 de janeiro

A quem possa interessar
18 de janeiro de 2016

Médicos criticam divulgação do outdoor feita por Assossiação de Magistrados 

 

 

A quem possa interessar 

Senhores Juízes, como assim graças a vocês cirurgias são feitas? Quando vocês emitem e assinam um documento obrigando o SUS a operar um paciente não pensem que estão resolvendo o problema. Pelo contrário cometem uma injustiça com outro pobre coitado que está na fila e, por não ter um advogado ou conhecimento desse direito terá que esperar mais um pouco.

Querem resolver o problema? Comecem a julgar e punir políticos e agentes públicos que desviam dinheiro da saúde para enriquecimento próprio. As vezes, como chefe de plantão, recebo ofício me obrigando a arrumar imediatamente uma vaga para pacientes que aguardam leito de UTI, sob pena de ser preso caso não execute. Infelizmente ouvi de uma oficial de justiça, um dia desses, que ela apenas cumpre ordens, o que eu já sabia, mas eu precisava desabafar.
Saibam senhores juízes que nenhum médico é malvado o suficiente para negar uma vaga de CTI para um paciente necessitado.  Acontece que, na maioria das vezes o recurso não existe, e o intimado não deveria ser quem está nesse front perverso e sim os gestores: secretários estaduais, municipais, ministros e até mesmo nossa “presidenta” que contingenciou bilhões do orçamento da saúde por má gestão.
Os Meritíssimos também possuem uma parcela de culpa, uma vez que a torto e a direita, metem a caneta obrigando o governo a pagar por tratamentos experimentais, e fazem vistas grossas para a máfia dos laboratórios em conluio com médicos renomados e associações de pacientes. 
Funciona mais ou menos assim: um laboratório tem uma droga para uma doença rara e que custa muito direito.  Essa droga ainda nem teve seu benefício comprovado, mas o laboratório contrata um professor renomado para começar a falar bem dessa droga. O próprio laboratório banca o advogado da associação de pacientes, e os senhores autorizam tratamentos caríssimos mesmo sem conhecimento de causa, baseado em laudos patrocinados pelo próprio laboratório. Dessa forma o dinheiro se esvai pelos ralos. 
Há pouco tempo um colega de vocês obrigou o governo brasileiro a pagar R$3 milhões por um transplante multivisceral nos Estados Unidos para uma criança que veio a falecer. Não digo que a criança não merecia, mas os médicos brasileiros alertaram que a criança não resistiria e assim foi. Portanto, sejam justos e repensem esse painel, não queiram bancar os heróis quando na verdade são parte do problema. Visitem um hospital público num sábado à noite e poderão confirmar quem são os verdadeiros heróis, operando sem materiais necessários, improvisando, usando recursos próprios, usando o próprio celular para ligar para os colegas pedindo ajuda, implorando um leito, um cateterismo de urgência. Aí sim, poderão ver que os heróis de verdade não vestem toga preta e sim o branco.
 
Doutor desconhecido
(enviado pelo leitor I.B.)