quarta 08 abril 2020
Editorial

Santa Casa de Jales, exemplo para o Brasil

Os números não mentem. Em reportagem recente, o jornal o Estado de S. Paulo, o de maior tradição do país, expôs as vísceras do atendimento médico-hospitalar no Brasil.  
 Dos 2.172 hospitais filantrópicos do país, 968 são responsáveis por todo o atendimento hospitalar de seus respectivos municípios. Ou seja, são os únicos hospitais existentes em cada localidade.  
De um total de 170 mil leitos, 126 mil (74%) destinam-se ao SUS. São cerca de 6 milhões e 500 mil internações por ano e mais de 280 milhões de atendimentos ambulatoriais só para o Sistema Único de Saúde, cuja tabela não é reajustada há 15 anos. 
Como os hospitais filantrópicos respondem por mais de 50% dos atendimentos se esse quadro não for revertido, a saúde pública entrará em colapso. 
Não é preciso ir longe para verificar que alguns hospitais estão quase fechando as portas. A 30 quilômetros daqui, em Fernandópolis, a Santa Casa de lá mergulha nas profundezas de uma dívida que, segundo dados publicados pelo jornal Cidadão, chega a R$ 52 milhões.
Como contraponto a esta situação dramática, a Santa Casa de Jales mostra invejável equilíbrio financeiro, pagando seus trabalhadores rigorosamente em dia, remunerando os profissionais de seu corpo clínico a preços de mercado e ainda investindo em novos equipamentos. 
Qual é o segredo do sucesso? Ou, como se diz em linguagem popular, como é o pulo do gato? A resposta está na ponta da língua: sequência de boas gestões à frente do único hospital geral da cidade, que atende pacientes de 16 municípios da região e de estados limítrofes. Por seus leitos passam em torno de cinco a seis mil pacientes/ano.  
Como equilíbrio financeiro não dá em árvore, esta situação é fruto de uma sequência ininterrupta de equipes administrativas cujos provedores, cada qual a seu modo, souberam contornar todos os obstáculos citados nos primeiros parágrafos deste texto. 
Os 10 anos de José Terron Spina, os seis de José Devanir Rodrigues, os quatro de José Pedro Venturini e os três anos e meio de Sebastião Junior Ferreira aplainaram o caminho para que Carlos Toshiro Sakashita, eleito na última terça-feira, dia 10 de dezembro,  possa consolidar a Santa Casa de Jales como um verdadeiro oásis não somente em termos de região noroeste, mas como exemplo para o Brasil.
Um dia após a eleição, ainda sob o impacto da consagradora escolha por aclamação dos membros da Irmandade com direito a voto, Toshiro, com sua visão de empresário binacional, já pregava a necessidade de uma campanha de marketing por parte do poder público municipal visando demonstrar à  população de Jales e região  que  o caminho para o futuro aponta no sentido de que nossa cidade, outrora um celeiro na produção agrícola,  finalmente está descobrindo uma nova vocação — a de oferecer atendimento médico-hospitalar de qualidade e, por via de consequência, movimentar o comércio e gerar emprego e renda. 
Estão aí a própria Santa Casa, o Hospital de Amor, o AME e, segundo o Tribunal de Contas, até a UPA, como documentos de prova. Vale a pena investir nessa ideia.


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