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Santa Casa, Apae e Tolstoi

Editorial
23 de setembro de 2018
Uma passada de olhos pelas redes sociais, que vieram para o bem e para o mal, deixa a impressão de que o mundo vai acabar amanhã.
Em Jales, não é muito diferente. Para os céticos de carteirinha parece que nada está bom. Por tudo e por nada o couro come, como se habitássemos um lixo de cidade. 
Felizmente, esses arautos do pessimismo são minoria. Embora silenciosa, a grande maioria, consegue enxergar a robustez das instituições aqui existentes, principalmente aquelas que tiveram como origem a sociedade civil organizada.
Não é necessário grande esforço para confirmar que vivemos em uma cidade diferenciada cujo maior patrimônio é o povo que aqui habita 
Por exemplo, a Santa Casa de Jales, que completará 60 anos em 27 de novembro, é um exemplo perfeito e acabado. Com os hospitais filantrópicos espalhados pelo país em crise, fechando leitos e colocando pacientes nos corredores, o único hospital geral da cidade, que atende mensalmente cinco mil pessoas oriundas de 16 municípios, consegue segurar a onda mantendo suas finanças equilibradas, funcionando 24 horas por dia ao custo de R$ 2 milhões por mês cobertos com repasses defasados do SUS e doações da comunidade.
Outro exemplo é a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Jales, que comemorou 45 anos de fundação na última quinta-feira, dia 20 de setembro.
Vale lembrar que a Apae de Jales, considerada uma das melhores do Estado, existe porque a comunidade assim o quis. A iniciativa foi do saudoso professor Orlando Cavenaghi, membro da Loja Maçônica Coronel Balthazar e, na vida civil, diretor de secretaria da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jales.
O entusiasmo dele contagiou os obreiros daquela instância filosófica e os demais cidadãos de boa vontade, cabendo à professora Zuleica de Carvalho Marques Silvestre, esposa de maçom e mãe de uma criança especial, assumir a presidência provisória, passando a batuta depois para o radiodifusor Wanderley Garcia, primeiro presidente eleito.
De lá para cá, a Apae só cresceu, claro, devidamente embalada pela credibilidade decorrente dos bons serviços prestados ao longo da história.
A causa das pessoas especiais é tão impactante que, dos presidentes que por lá passaram, todos dando o melhor de si, dois transformaram aquele trabalho voluntário em uma extensão de suas casas — Francisco Gerez Garcia, o Paco, que dedicou 14 anos de sua vida à Apae (1976 e 1985) e, mais recentemente, João José Ramos, presidente durante 11anos (2006 a 2017).
 O exemplar funcionamento da Apae deveria servir de farol para os que ignoram o que se passa a seu redor tenham outra visão de mundo. Como ensinou Tolstoi, “conhece a tua aldeia e sê universal”.