quarta 03 junho 2020
Arquibancada

Sampaoli: a aposta ousada que precisa de tempo

Treinador de ponta do futebol sul-americano e comandante da Argentina na última Copa do Mundo, Jorge Sampaoli é o novo técnico do Santos para a temporada 2019. Substituto de Cuca no Peixe, o argentino vem de um fracasso no Mundial e terá pela frente um dos maiores desafios de sua carreira.
Apreciador do futebol ofensivo, com esquemas táticos ousados e alternância de jogadores, o treinador se destacou na Universidad de Chile e na seleção do próprio país. Em suas mãos estiveram grandes times e tempo para desenvolver seu trabalho, o que é difícil de se imaginar no atual momento do Alvinegro Praiano.
Com sérias dificuldades financeiras há alguns anos, a diretoria santista tem como primeiro desafio reforçar o time com jogadores de qualidade, dando condições para Sampaoli impor seu estilo de jogo. Além disso, o presidente José Carlos Peres terá que dar respaldo ao campeão da Copa América de 2015, algo difícil de ser visto no cenário nacional.
Vale lembrar que dois técnicos, um estrangeiro e outro brasileiro, com estilos semelhantes ao do argentino, realizaram trabalhos em clubes importantes do país nos últimos anos e encontraram dificuldades.
Primeiro, o colombiano Juan Carlos Osório passou pelo São Paulo e ficou por pouco mais de quatro meses na temporada 2015. Mesmo realizando bom trabalho, não teve apoio do presidente Carlos Miguel Aidar e logo se despediu do clube para acertar com a seleção do México.
No ano seguinte, Fernando Diniz, mais um defensor de estilo de jogo parecido com o de Sampaoli, realizou grande trabalho no Audax e se sagrou vice-campeão paulista. Em destaque, foi contratado pelo Athetico Paranaense neste ano, mas depois de apostar em escalações questionáveis e sofrer com críticas, foi demitido com apenas 21 partidas no comando do Furacão.
A dúvida que fica é se os clubes brasileiros estão preparados para um futebol diferente do que é apresentado pela maioria, e a contratação de Sampaoli é mais uma oportunidade para essa questão ser respondida. Se a diretoria do Santos tiver paciência com o treinador e conseguir fazer boas contratações, a tendência é que essa resposta seja positiva.

Eduardo Martins 
 (jalesense, aluno do 2° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 
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