quinta 22 outubro 2020
Editorial

Salve-se quem puder

Acabou o período de articulações de bastidores, também chamado, em tom jocoso, de tempo de corte e costura, durante o qual valeu tudo, principalmente puxadas de tapete e bolas nas costas, para ficar na metáfora do futebol.

Também não faltou neste período pré-eleitoral o tradicional festival de golpes abaixo da linha da cintura, o que é terminantemente proibido em outra modalidade, o boxe, esporte aparentemente violento, mas que é conhecido como “nobre arte”, cujo princípio é parar de bater quando o adversário já está nas cordas com as pernas bambas.

Enfim, se até aqui o jogo foi bruto e, como nos filmes de faroeste, muitos pré-concorrentes a cargos eletivos, para conquistar um lugar ao sol, se valeram da lei do mais forte, agora é outro departamento.

A partir deste domingo, 27 de setembro, começam a valer as regras da Justiça Eleitoral, instância que delimita o raio de ação dos litigantes e coloca todos os candidatos no mesmo patamar. Ou seja, pau que der em Chico também dará em Francisco.

O calendário eleitoral estabelece que daqui para a frente está permitida a propaganda eleitoral, inclusive na internet, carros de som circulando pelas ruas, distribuição de material gráfico, caminhada, carreata ou passeata.

Estruturas impressas ou digitais à parte, os três candidatos a prefeito e a vice-prefeito e os 110 candidatos à vereança vão enfrentar um desafio completamente novo e diferente, que é fazer campanha eleitoral contra um inimigo invisível e traiçoeiro —o coronavírus.

Não vai ser fácil até porque o eleitor, desde março, sente na própria pele, em família ou no círculo mais próximo as restrições impostas pela disseminação do vírus e os dramas decorrentes da pandemia, o que o torna mais preocupado com a própria sobrevivência.

Mas, os candidatos não têm para onde correr. Além de tentarem fazer a cabeça também precisam atingir o coração do eleitorado, únicas formas de divulgar as propostas de cada um.

 Os mais experientes profissionais de marketing político não acreditam que só o uso das redes sociais vai diminuir a distância entre quem vota e quem pede voto.

É preciso muito mais e a maneira de romper este bloqueio entre os candidatos e os eleitores torna-se o grande desafio, muito maior do que disputar voto com os concorrentes.

Só que a abordagem deve ser feita com açúcar e com afeto. Diante da realidade que cerca o pleito, não é exagero comparar a situação dos candidatos com a dos profissionais da saúde:encontrar a dose certa para que o remédio não se transforme em veneno.

A sorte está lançada. Salve-se quem puder!

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