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Salve-se quem puder

por Lucas Rossafa
11 de fevereiro de 2018
Lucas Colombo Rossafa
Tão debatido na modernidade, o árbitro de vídeo não estará presente no Campeonato Brasileiro por motivos econômicos. A introdução do recurso foi suspensa pela maioria dos clubes, durante reunião do Conselho Arbitral. Em contrapartida, a tecnologia será adotada a partir das quartas de final da Copa do Brasil, financiado pela CBF.
O que chama atenção é a entidade máxima do futebol querer que os participantes paguem pela implantação que corrige marcações e dúvidas dos apitadores. É como se o patrão quisesse empurrar os gastos para os funcionários e exigir uma indústria moderna e qualificada sem colocar a mão no bolso. Assim, fica fácil colher os frutos e guardar fortunas.
Por outro lado, 12 times foram contrários à ideia do vídeo. Entre os paulistas, Santos e Corinthians. É curioso os dirigentes acharem caro R$ 1 milhão/clube – para toda a competição – em tecnologia para minimizar erros. O que mais se vê depois das rodadas é presidente chorando para cá e outros reclamando para lá. Se os mandatários fossem tão rígidos em suas políticas de contratações, o cenário, certamente, seria diferente. Investem muito mais em atletas cujo custo-benefício é desfavorável. 
O ideal seria que a CBF arcasse com a despesa de todos. Aliás, o valor é irrisório para uma companhia que movimenta milhões e é alvo constante de corrupção. A obrigação de melhorar o produto – Campeonato Brasileiro – é exclusivamente dela. A competição, por sinal, anda em declínio técnico e de credibilidade há anos. Seria importante, no caso, um gás extra a fim de revitalizá-la.
Para piorar, as equipes liberaram a venda de mando de campo. Só será permitido atuar cinco vezes fora de seu estado de origem dos 19 jogos possíveis, desde que haja concordância do adversário. Está proibido, ainda, a comercializaçãode partida nas últimas cinco rodadas da Série A. Trata-se de uma afronta ao aspecto esportivo do torneio. Os participantes deveriam mandar os duelos em casa e, no máximo, ter um plano B estipulado em regulamento, como os casos de Santos e Atlético/MG.
O futebol brasileiro caminha a passos largos rumo ao regresso. Enquanto a CBF ditar o ritmo de forma exclusiva, os clubes vão continuar em processo de enfraquecimento. O último que sair apague a luz. Salve-se quem puder!

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 4°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
Twitter @lucas_rossafa