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Salário atrasado: uma velha mania do futebol brasileiro

Por Eduardo Martins
25 de março de 2019
Eduardo Martins
Direito de todo trabalhador, o dia de receber o salário é um momento sagrado para qualquer funcionário. No futebol, apesar dos valores exorbitantes alcançados por alguns, o cenário não é diferente, porém o Santos nas últimas semanas vem dando um grande exemplo de como não se deve tratar quem possui vencimento pago pelo clube.
Em meio as dificuldades, a diretoria alvinegra quitou na última semana suas pendências com funcionários, dentre eles o treinador Jorge Sampaoli, que se mostrou ao lado dos jogadores e teve atitude exemplar. O comandante decidiu devolver todo o dinheiro que recebeu, como símbolo de protesto e apoio aos seus atletas – os principais responsáveis pela equipe terminar a primeira fase do Paulistão na segunda colocação.
Sem condições de pagar o elenco, as dificuldades financeiras na Vila Belmiro existem a alguns anos graças às gestões ruins que passaram pelo clube. Apesar disso, a diretoria santista resolveu investir alto nesta temporada e se comprometeu a pagar R$ 26 milhões pelo meia Christian Cueva.
Apesar do jogador ter vindo por empréstimo e o valor começar a ser quitado apenas em 2020, o Santos terá como obrigação estipulada em contrato adquirir o atleta – muitas vezes problemático – por esse valor exorbitante.
Atitudes como essa evidenciam o tamanho da irresponsabilidade de muitos dirigentes do futebol nacional. Mandatários fazem com o “seu time do coração”, algo que jamais seria feito na administração de uma empresa séria e a herança maldita acaba se tornando um símbolo para os seus sucessores.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não pode passar em branco na discussão desses problemas. A entidade máxima do futebol nacional jamais puniu de forma severa – com rebaixamento ou exclusão de competições – clubes que fazem loucuras e acabam devendo para seus funcionários.
O mínimo que a diretoria santista capitaneada pelo presidente José Carlos Peres deve fazer, é procurar uma maneira de quitar todas as pendências com os jogadores – desde o maior craque até quem menos chama atenção. Fazer isso é mostrar que quem está no poder possui respeito com todos que diariamente lutam pelo sucesso do clube.

Eduardo Martins 
 (jalesense, aluno do 3° ano de jornalismo da PUC-Campinas)