segunda 21 setembro 2020
Arquibancada

Saída pela porta dos fundos

Um trabalho espetacular que terminou da pior forma. Essa é a melhor maneira de definir a saída do técnico Jorge Sampaoli do Santos. Vice-campeão brasileiro pelo Peixe e adorado por grande parte da torcida santista, o treinador deixou o clube nesta última semana junto com uma enorme mancha no trabalho realizado em 2019.
Os problemas entre o ex-comandante da equipe da baixada e o presidente José Carlos Peres já eram evidentes desde a metade da temporada, mas a forma como Sampaoli conduziu todo o processo de saída acabou piorando ainda mais a situação e queimando o argentino até mesmo com quem o idolatrava.
Contratado em dezembro de 2018, quando estava em baixa após campanha frustrante da seleção argentina na Copa do Mundo, o treinador firmou vínculo de dois anos com o Santos, até o final de 2020. O começo do trabalho foi recheado de bons momentos e, mesmo com algumas oscilações, o técnico começou a fazer uma série de exigências à diretoria e cobranças públicas por reforços.
Longe de ser um clube organizado com Peres na presidência, começaram os conflitos entre o argentino e o mandatário santista, algo que durou até o final do Brasileirão. Melhor técnico da competição ao lado de Jorge Jesus, Sampaoli voltou a fazer imposições para permanecer no próximo ano, exigindo orçamento de ao menos R$ 100 milhões, algo fora da realidade do Santos que busca cortar gastos para 2020.
O resultado final foi a saída do treinador que alega não ter pedido demissão. Em contrapartida, o Santos diz que o técnico pediu para sair, cobra multa de R$ 10 milhões referente ao seu contrato e quer também mais R$ 3 milhões da rescisão dos auxiliares de Sampaoli. O caso deve ser resolvido na Justiça.
A expectativa a partir de agora é pelo futuro do comandante. O Palmeiras aparece como maior interessado no Brasil, mas o Racing, da Argentina, também está disposto a contar com o trabalho do técnico.
Em um caso que os dois lados cometeram erros, quem mais se “queimou” foi Sampaoli e sua relação com a torcida do Santos jamais será a mesma. A melhor solução para a carreira do treinador é buscar novos horizontes fora do Brasil, ou até mesmo permanecer por aqui, mas não assumindo um dos maiores rivais do seu ex-clube.

Eduardo Martins 
 (jalesense, aluno do 3° ano de jornalismo da PUC-Campinas)
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