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Saibam porque Jales não teve aeroporto internacional

Navegando pela internet, tive a felicidade de encontrar um texto de autoria do dr. José Rubens Plates, procurador da República, residente “benjamim” na cidade de Jales, ou seja, apenas havia cinco anos, mas, pelo demonstrado na publicação do Jornal de Jales, data de 19 de janeiro último, parecia que era morador veterano daquela cidade. Parabéns dr. Plates, se assim me permite chamá-lo.
Na sua visão dos problemas atuais daquela cidade, que conheço desde os idos de 1950, pois, lá residi por mais de uma década, períodos 1950/1960, dentre todos levantados, com rara propriedade, cita o nome do saudoso e brilhante causídico dr. Roberto Valle Rollemberg, ex-vereador e Prefeito de Jales.
Naquela época, embora fôssemos amigos, infelizmente na política éramos adversários, o que nunca impediu de trabalharmos juntos pelos interesses da cidade. Rollemberg teve grande atuação na parte esportiva, pois, organizou e montou forte equipe de basquete na cidade, trazendo grandes nomes de jogadores como Rosa Branca e outros, elevando o nome de Jales na alta araraquarense e no Estado. Ele era adversário político do finado dr. Euphly Jalles, prefeito da época; eu presidia a Comissão de Esportes, e assim, tocamos juntos o esporte em Jales, fazia-se o empenho para pegar o dinheiro e o dr. Euphly antes de autorizar, chamava-me no gabinete e perguntava quem iria chefiar a equipe, o que prontamente respondia eu, aí ele autorizava, o dinheiro saía, entregava ao Rollemberg, o qual fazia todas as despesas e, na volta, entregava os comprovantes. Convém ressaltar que fui a Jales nos ídos de 1952, como contador contratado pelo dr. Euphly, onde trabalhei durante três anos, saindo para montar o Escritório Comercial “Santa Adélia” ainda hoje em atividade. Vendi o Escritório ao dr. José dos Santos, advogado recente na cidade e posteriormente fui trabalhar no Ginásio Estadual de Jales, hoje, Escola Estadual “Dr. Euphly Jalles, sendo seu primeiro diretor. 
Quando prefeito, dr. Euphlly, que sempre teve ótima visão, montou um projeto para Jales ser sede de um aeroporto internacional, (veja, isso em 1950/1960). Tinha bons relacionamentos com as autoridades estaduais e federais. Chegou até a cúpula da Força Aérea Brasileira e aí apresentou o projeto de aeroporto internacional para a região, mostrando com mapas a possibilidade de tal projeto e localizando ainda onde seria construído, um local que não necessitava de movimentação de terras, o que despendia baixo custo para sua realização.
Esse aeroporto está localizado na estrada que liga Jales a Paranapuã, Santa Albertina.
Dr. Euphly fez tudo na surdina, não falou com ninguém. Aeronáutica fez o levantamento da área, plantas e tudo o mais e entregou o projeto na Prefeitura. Acontece que a área que seria demarcada era ocupada por sitiantes amigos e até compadres do dr. Euphly.
Enviado o projeto para a Câmara Municipal para desapropriação da área, o então presidente, Dr. Rollemberg, foi contra a medida, alegando que seriam prejudicados os pequenos agricultores, sitiantes e que a construção deveria ser em terras do Prefeito, levando os sitiantes a se recusarem. Um deles, sr. Antonio Amaro, próspero industrial na cidade, amigo e companheiro do Dr. Euphly, tornou-se seu adversário político e encabeçou movimento junto aos vereadores para vetarem tal projeto, o que foi feito.
Quem perdeu foi Jales, porque hoje teríamos o aeroporto, servindo vasta região. Mas, com toda esta história, por que as autoridades de Jales, independente dos problemas políticos que existem entre a Prefeitura e o espólio Euphly Jalles, não procuram ter em mãos as plantas feitas do referido aeroporto? Por que não procuram o Ministério da Aeronáutica? Acredito que se fizerem isso, alguma coisa de bom terá nossa região.
 Aí fica o meu recado, com agradecimento especial ao Dr. Plates, por ter tocado no assunto e me fazer voltar ao passado, com problemas vitais para nossa comunidade.

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