jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

S.O.S Amazônia

Por Ayne regina Gonçalves Salviano
25 de agosto de 2019
Ayne regina Gonçalves Salviano
Eram três horas da tarde da última segunda-feira, dia 19, quando a cidade de São Paulo foi estranhamente coberta por nuvens negras. O dia virou noite. A explicação, assustadora, veio na sequência. Duas massas de ar, um fria, outraquente, se encontraram provocando uma tarde que deveria ter sido cinza. Mas ficou preta porque o ar estava carregado de fuligem tóxica das queimadas da Amazônia, segundo os laboratórios da Universidade de São Paulo. Pela primeira vez, em muito tempo, ficou provado que o que acontece na Amazônia não fica só no norte do país. 
A Amazônia está no centro de uma discussão mundial desde sempre. Em 1978, Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela fecharam o Tratado de Cooperação Amazônica se comprometendo a criar um bloco socioambiental que promovesse a preservação da área. Não foi o suficiente. No final dos anos 1980, a morte de Chico Mendes e no início dos anos 2000, a morte da missionária Dorothy Stang mostraram ao mundo que aquele território já era muito disputado entre ambientalistas e madeireiros, agropecuaristas, mineiros, entre outros exploradores.
Era preciso mobilizar todos os países para cuidar da única floresta tropical do mundo conservada em tamanho e diversidade que contribui para estabilizar o clima global. Sem a fotossíntese de suas árvores cresce o efeito estufa que está provocando as mudanças climáticas graves que já estamos vivenciando e cujo maior exemplo é o aquecimento global e suas terríveis consequências: derretimento das calotas polares, aumento do nível dos mares, inundações, alteração no regime de chuvas, desertificação, tempestades, furacões, redução da biodiversidade, perda de áreas férteis para a agricultura e disseminação de doenças, entre outros. 
Em 2008, o governo brasileiro criou o Fundo Amazônia, destino de mais de 300  milhões de reais que seriam doados esse ano só pela Alemanha e Noruega. Na semana que passou, os dois países suspenderam os repasses. Não vão depositar nada enquanto o governo federal não apresentar políticas públicas de preservação para a Amazônia. E a ONU já avisou. Se nada for feito imediatamente, em 2025 mais de 50 países sofrerão com a escassez de água e poderemos vivenciar mais guerras pelo produto. O que você está fazendo pela Amazônia, digo, pela sua sobrevivência?

Ayne regina Gonçalves Salviano
(é jornalista e professora. Gestora do Damásio Educacional Araçatuba)