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ROSÂNGELA E SUELY

O sentimento de mães com filhos morando no exterior
13 de maio de 2018
Suely Zambon com o filho Vandré, que mora em New York
“Com essa facilidade de comunicação, posso vê-los, mas não abraçá-los”, lamentou Rosângela Nossa Neto, casada há 30 anos com o advogado Carlos Alberto Expedito de Brito Neto, com o qual teve dois filhos: Thiago, hoje na Austrália depois de passar pela China, e Marina, na Argentina
De sua parte, Suely Aparecida Zambon, cujo filho Vandré já passou pela Nova Zelândia, Escócia e China e hoje está nos Estados Unidos, além de outro, Junior, professor universitário em Cuiabá, vai pelo mesmo caminho: “é muito difícil ser mãe à distância”.
O J.J. foi ouvi-las sobre o que elas sentem neste domingo, 13 de maio, Dia das Mães

Mãe à distância

por SUELY APARECIDA ZAMBOM

Quando meu primogênito, Júnior, foi cursar Geografia na UNESP de Presidente Prudente, escrevi uma cartinha e coloquei na sua mala. Assim eu fiz por 4 anos cada vez que ele vinha para casa. Nelas eu tentava transcrever todo sentimento de amor, alegria, saudades, orgulho e também medo e preocupações. No dia de sua formatura, para minha surpresa, um cartaz com todas as cartas coladas. Em determinado momento ele leu uma a uma para os convidados. Não houve quem não se emocionou. Quanto carinho, amor e reconhecimento. Agora com o mais velho formado, chega a vez do caçula.
Vandré!!! Menino guerreiro, determinado, personalidade forte, sempre sabendo o que queria. Aos 17 anos já ingressou na faculdade de engenharia na USP de Lorena. Novamente meu coração acelerado, amedrontada, mas orgulhosa. Quando estava no 4º ano pediu para que eu autorizasse que trancasse a faculdade durante um ano a fim de ir para a Nova Zelândia estudar inglês.
Eu não queria, tive medo. Mas ele, determinado como sempre, me convenceu que para ter sucesso na profissão precisa falar outras línguas. E assim foi. Sim, nunca ter saído do país sozinho, destemido foi morar em outro país. Quando me despedi no aeroporto, vendo-o embarcar, uma enorme tristeza e preocupação invadiu meu coração. Naquele tempo não existia whatsapp, Skype etc. Falávamos apenas por telefone e não era fácil. Cada dia que pensava minha preocupação acumulava por não estar fisicamente presente para ajudá-lo quando necessário, para ir a farmácia comprar remédio para febre, aconselhar, ajudá-lo no dia a dia. Um ano parecia uma eternidade. Enfim chegou o dia dele voltar e terminar a faculdade. Bem formado e inteligente foi contratado por uma empresa multinacional, onde fez os estágios.
Com apenas um ano trabalhando, ele foi convidado a prestar serviços na Escócia. Mais uma vez minhas preocupações com aquele menino que não gostava de ar condicionado, morando em um país que quase não se via o sol, com temperaturas abaixo de zero.
Quantas noites fiquei sem dormir, lágrimas e nós na garganta. Pedidos infinitos a Nossa Senhora Aparecida que intercedesse e fizesse de tudo aquilo que daqui eu não podia fazer. Agora a comunicação era mais fácil pelo Skype.
Mesmo assim coração apertado demostrava todo meu orgulho, compreensão, respeito e sempre o encorajava. Depois de 18 meses voltou para a empresa do Brasil. Feliz por estar perto da família e amigos. Em pouco tempo veio a transferência para a China. Agora já acompanhado da amada Joice. Casado, minha preocupação foi menor por estar acompanhado de sua esposa, companheira de todos os momentos. Depois da China, transferiram para o Estados Unidos, onde está até hoje.
Deixá-lo ir foi difícil, mas mesmo assim foi uma decisão certa. Hoje ocupa cargos privilegiados na empresa.
Mesmo assim é muito difícil ser mãe a distância. Uma mistura de sentimentos. Tristezas, alegrias, orgulho, medos e preocupações sempre na alma e orações.
Agradeço a Deus pelos filhos que tenho e por ter me dado força e equilíbrio para ajudá-los a ser o que são hoje. Fui uma mãe batalhadora, mas venci. Tenho motivos para ser feliz. Mas o principal é ver meus filhos bem formados, felizes e realizados.