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Robótica aplicada à enfermagem é realidade nos EUA

Por Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
15 de julho de 2019
Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
As profissões relacionadas à saúde são de grande importância para a sociedade, especialmente se considerarmos o crescimento da oferta pública e privada de serviços hospitalares dos últimos anos. Assim, a demanda por profissionais dessa área é muito grande, principalmente por aqueles que prestam serviços diretamente aos pacientes, como técnicos e auxiliares em enfermagem. O cotidiano desses profissionais em centros hospitalares envolve muita responsabilidade e inteligência emocional. De fato, há estudos que mostram que as principais causas de estresse nos profissionais de enfermagem estão relacionadas à alta carga de tarefas, considerando aspectos quantitativos e qualitativos. Nesse cenário, a Diligent Robots, empresa estadunidense sediada em Austin, no estado do Texas, desenvolveu um robô chamado Moxi, objetivando auxiliar os profissionais de enfermagem em suas atividades diárias. 
Em sua essência, Moxi pertence à categoria dos robôs colaborativos (colaborative bots ou cobots – do termo em inglês), pois a ideia não é substituir o técnico ou o auxiliar de enfermagem, mas prover um agente inteligente capaz de realizar tarefas em colaboração com esses profissionais. Apesar de não apresentar muitas características humanas (humanoide), o robô possui uma aparência agradável, que lembra os simpáticos robôs da TV e do cinema. Moxi possui um conjunto de rodas e um braço robótico extremamente fortes e precisos. Ademais, apresenta câmera para reconhecimento facial, sensores para evitar colisões, consegue interpretar comandos de voz e pode se conectar ao sistema eletrônico de registros do hospital. Tudo isso suportado por um poderoso sistema de inteligência artificial (IA) que permite aprender sobre o ambiente. 
Além de tarefas simples, como ficar andando pelos corredores para fornecer informações, o robô é capaz de realizar tarefas operacionais e logísticas. Por exemplo, quando um paciente recebe alta, o quarto em que ele estava deve ser limpo e preparado para uma próxima internação. Assim, Moxi é capaz de se integrar ao sistema hospitalar, que emitirá um comando para que o robô faça os preparativos necessários, como abastecer o quarto com suprimentos novos e limpos. O simpático robô também pode descartar resíduos hospitalares, entregar amostras em laboratório e executar outras tarefas consideradas simples e perigosas.
Segundo seus criadores, a ideia é que o profissional de enfermagem tenha mais tempo para se dedicar ao paciente, deixando tarefas que não exigem interação direta com as pessoas a cargo de Moxi. Desse modo, espera-se que haja uma considerável redução na carga cognitiva dos técnicos e auxiliares em enfermagem, melhorando a qualidade do atendimento e dos serviços.
Atualmente, há algumas unidades em teste em alguns hospitais do Texas, mas seus criadores afirmam possuir planos para expansão, considerando a alta demanda por serviços e profissionais de saúde nos EUA. Entre os principais desafios para as próximas versões de Moxi, estão: realização das atividades com a mesma precisão e velocidade do ser humano, melhoria da capacidade de interação, execução de tarefas mais complexas (verificação de estoque, preparo e aplicação de medicamentos etc.), entre outros. Apesar dos grandes planos para o futuro, a Diligent Robotics afirma que a ideia é manter Moxi na categoria dos cobots, visto que o profissional de enfermagem é imprescindível, não só pelos aspectos técnicos, mas, principalmente, pelos aspectos humanos de relacionamento e interação. 
Enfim, os cobots já são empregados na indústria há muitos anos, auxiliando profissionais em tarefas pesadas e perigosas. Na área da saúde, o conceito que sustenta Moxi é inspirador e nos permite vislumbrar um futuro em que os profissionais de enfermagem poderão se dedicar única exclusivamente ao paciente.

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente Fatec Jales
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