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Rio-SP valioso

por Lucas Rossafa
18 de setembro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Há trinta dias, o Corinthians e seus torcedores viviam em lua de mel. Até meados de agosto, o clube de Parque São Jorge totalizava 34 partidas sem conhecer o sabor de uma derrota e com cinco meses de invencibilidade. A confiança era gigante, o esquema tático, quase imbatível e o elenco, embora longe de ser sensacional, vinha correspondendo à altura.
Hoje, todavia, a realidade é bem diferente, ainda que o discurso de Fábio Carille seja o mesmo. O desempenho caiu, o ataque não funciona com regularidade, a defesa tem apresentado certa vulnerabilidade e um certo clima de insegurança se instala. Para se ter uma noção, foram três derrotasnos últimos cinco jogos e, em nenhuma das situações, a equipe teve rendimento igual ou superior àquele apresentado até a primeira semana de agosto.
Mas não há razões para se desanimar. Essa oscilação, apesar de perdurar mais do que se esperava, também incomodou os demais times do futebol brasileiro em, pelo menos, uma vez na temporada. Por outro lado, os 48 pontos do primeiro turno do Campeonato Brasileiro só foram possíveis, em parte, pelo fato do Timão ter jogado acima da sua capacidade, ou seja, 110%. Tal superioridade apareceu quando foi realmente necessário para venceros obstáculos (como Grêmio, Palmeiras e Atlético-MG fora de casa) e para derrubar o rótulo de “quarta força”.
Ironia ou não, a produtividade/eficiência corintiana piorou justamente nos dois períodos de 15 dias sem compromissos oficiais. Nas primeiras 19 rodadas, o Timão precisava de sete chutes para balançar as redes. Agora, são necessários 68 – um gol nos últimos quatro jogos. A tão elogiada defesa também apresentou queda: antes, eram 31.4 finalizações para ser vazada, ao passo que, hoje, somente dez.
Com o calendário cada vez mais apertado e os jogos exigindo uma entrega física absurda, qualquer folga para treinamentos e aprimoraçãodos defeitos apresentados em campo é sempre bem-aceito. Entretanto, a pausa não trouxe benefícios. Se a situação não anda boa, é preciso tomar atitudes para mudar.
Como o objetivo é retomar ao caminho das vitórias e deixar de lado o sentimento de insegurança, manter a calma erecuperar o foco são dois pré-requisitos básicos. Afinal, trata-se de duas obrigações para que o Corinthians continue na liderança isolada do torneio nacional e em condições de buscar uma vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana, mesmo em Avellaneda.
Mesmo que a situação seja incomum, o duelo deste domingo, diante do Vasco, em Itaquera, é fundamental, uma vez que significa mais do que três pontos. Além de, no mínimo, manter a distância para o vice-líder, representa confiança, segurança, pausa na fragilidade e autoestima elevada para o restante do ano. Por tudo isso, o Rio-São Paulo desta tarde tem um valor imensurável.