Observatório

Revolução Constitucionalista por Roberto Gonçalves

Quinta-feira, 9 de julho de 2015, a Revolução
Constitucionalista de 1932, maior guerra civil da história do Brasil,
comemora 83 anos. Dos milhares e milhares e combatentes, ainda
temos algumas dezenas de nossos heróis vivos, espalhados por
várias cidades paulistas.
Estudioso  do glorioso 9 de Julho, desde minha juventude, descobri
nessa linda página da história paulista, gritos por justiça, democracia,
liberdade e cidadania, valores notoriamente universais nas sociedades
civilizadas.
No feriado  9 de Julho, quando as praias serão invadidas em massa,
porque será emendado com o final da semana, matando a sexta-feira,
raríssimas pessoas estarão preocupadas com o significado de 9 de
Julho, principalmente se o sol der o ar da graça.
O movimento da sociedade civil que originou a Revolução foi o MMDC.
constituído das siglas de Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, jovens
assassinados pela ditadura na Praça da Republica, em São Paulo.
Miragaia era de São José dos Campos, tornando-se herói paulista e
imortalizado em todos livros escolares, nos discursos, em nomes
de ruas, escolas, logradouros públicos.
E a sigla MMDC permaneceu, criando-se a Sociedade MMDC, ativa
até hoje, e da qual sou sócio contribuinte, com muito orgulho. Dia 9
de Julho, a Sociedade MMDC coloca os heróis, e agora, também
seus filhos, nas solenidades, mantendo vivo o espírito da Revolução
paulista de 1932.
Além do MMDC, o Governo do Estado de São Paulo, sempre com a presença
do governador, após a queda da ditadura do Estado Novo,
em 1945, comemora, solenemente, a maior vitória cívica da história brasileira.
São Paulo foi derrotado militarmente, mas venceu politicamente,
obrigando, com o armistício, a criação de uma Assembleia Nacional
Constituinte, resultando em vários avanços, começando pela
instituição do voto feminino, direito até então negado as mulheres brasileiras.
Como a ditadura de Vargas controlava a maioria dos veículos de
comunicação, principalmente o rádio, principal fonte de informação e
formação de opinião pública na época, os marqueteiros da época
espalharam, por todo Brasil, que a luta de são Paulo era separatista,
querendo tornar-se uma colônia italiana na América do Sul.
Ou então pregavam que era uma guerra dos barões do café contra
o Brasil pobre, usando a tese populista do "nós" contra "eles",
copiada nos últimos trinta anos pelo populismo petista. Qualquer
pessoa bem informada, na época, sabia que a Revolução 9 de
Julho nasceu nas Arcadas do Largo São Francisco, quando fervia
na juventude estudantil o ardor cívico de amor a Pátria, iniciando
passeatas, concentrações de repúdio a ditadura, na capital e
interior, com grandes caravanas de estudantes embarcando nos
trens que percorriam todo interior paulista, divulgando a importância
de São Paulo lutar pela democracia.
Mas o rádio da ditadura não parava de martelar propaganda enganosa,
marca registrada das ditaduras populistas, pregando que o movimento
tinha origem comunista, financiado pela família Matarazzo, na época
maiores milionários do Brasil. As besteiras propagadas pelo rádio da
ditadura conseguiram neutralizar as várias adesões ao movimento
paulista. Somente Mato Grosso ficou com São Paulo até o fim,
pegando em armas conosco.
É preciso também fazer uma reparação à grande revolta paulista em
relação aos mineiros, acusados de nos traírem na véspera da
deflagração do movimento. Conhecendo todos líderes mineiros que
levariam Minas lutar ao lado de São Paulo, Getúlio armou uma
estratégia para prende-los de surpresa, abortando o movimento.
E mudou todo comando político e militar de Minas Gerais, colocando
as forças mineiras para lutarem contra São Paulo.
E contando apenas com Mato Grosso, São Paulo enfrentou o Brasil
inteiro, envenenado pelo discurso populista da ditadura, sempre
repetindo que São Paulo era um Estado imperialista, contra o nordeste,
dominado pelos terríveis barões do café, etc,etc. Exatamente o
discurso do ódio que o populismo petista prega nas regiões norte e
nordeste, fazendo São Paulo vilão da história e os pobres daquelas
regiões vítimas do imperialismo paulista..
A Revolução 9 de Julho, nosso principal feriado, por culpa de nossas
escolas, não é devidamente explicada as crianças. O grande número
de migração brasileira para São Paulo, Estado mais pujante e
desenvolvido do Brasil, contribuiu para trazer a versão da ditadura
para o conflito de 1932, principalmente a idéia do separatismo, muito
bem trabalhado pelo rádio.
Dia 11 de Agosto de 1932, com os canhões da guerra explodindo em
todas fronteiras de São Paulo, não houve, pela primeira vez, a
solenidade comemorativa de tão importante data para os cursos
jurídicos do Brasil. Todos alunos da gloriosa Faculdade de Direito
do Largo são Francisco estavam nas trincheiras, fuzis nas mãos,
lutando pela democracia.

Roberto Gonçalves (é cientista político) 

 

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