Arquibancada

Retorno irresponsável

Curva ascendente da doença e leitos dos hospitais a cada dia mais lotados, esse é o cenário da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o segundo país mais afetado pelo vírus no mundo, atrás apenas dos EUA. Em meio a esse panorama, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e o mandatário vascaíno Alexandre Campello, lideram movimento pelo retorno do futebol com discursos irresponsáveis que negam a ciência.

Duas semanas depois do massagista do Flamengo, Jorge Luiz Domingos, morrer de coronvavírus, Landim e Campello foram até Brasília se encontrar com Jair Bolsonaro (sem partido) com o objetivo de avançar nas tratativas para que os clubes treinem no Estádio Mané Garrincha durante a pandemia.

Após a reunião, os três se juntaram ao diretor de marketing do Flamengo, Alexsander Santos, e ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e, lado a lado, posaram para uma foto em que todos estavam sem máscara e desrespeitavam as medidas de isolamento social indicadas pela OMS.

As atitudes patéticas não param por aí e, nesta semana, Landim concedeu entrevista ao Fox Sports e desrespeitou todos cidadãos e torcedores que prezam pela saúde. “Por que não voltar o futebol? Só porque a curva da pandemia é ascendente? Mas está ascendente porque outras atividades não estão usando o nosso protocolo”, menosprezou.

O protocolo citado pelo flamenguista foi criado por Márcio Tannure, médico do clube, com medidas para trazer segurança a jogadores, comissão técnica e funcionários do Flamengo neste retorno às atividades. As normas podem se mostrar eficazes, tem como objetivo trazer segurança a jogadores, comissão técnica e funcionários do Flamengo, mas não envolve todos os profissionais que trabalham em uma partida de futebol, e a CBF, mais uma vez, se mostra omissa e não oferece a medida a todos os clubes brasileiros.

Na Alemanha, o futebol já retornou, mas a realidade é completamente diferente do que vive o Brasil. No país europeu, a curva de óbitos causados pela Covid-19 começou a cair no início de abril, foram tomadas medidas eficazes para combater a doença, diferente do Brasil que até o momento, através do governo federal, negou a ciência e apenas observou o número de casos aumentar em todas as regiões, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O retorno do futebol ou de qualquer competição esportiva, neste momento, é algo que precisa ser tratado como impensável no Brasil. Rodolfo Landim e o médico Alexandre Campello usam a política, não olham a realidade e prestam um desserviço à sociedade menosprezando as consequências do coronavírus.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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