Editorial

Reta de chegada

As circunstâncias atípicas da campanha eleitoral de 2020 tornaram a disputa pelo voto um exercício permanente de contorcionismo político.

Historicamente, as eleições municipais representam sempre o ponto efervescente de qualquer disputa nas urnas já que, em cidades de até 50 mil habitantes, todos se conhecem por nome e sobrenome.

Ou seja, ao contrário das eleições proporcionais para deputados e senadores, quando surgem os chamados candidatos copa-do-mundo, que só aparecem de quatro em quatro anos, nas eleições municipais o buraco é mais embaixo.

Nos pleitos municipais de nada adianta fazer promessas irrealizáveis, tipo vender terreno na lua, porque, tal qual gato escaldado que tem medo de água fria, até as crianças da pré-escola percebem quando algum candidato deseja enganá-las.

Se sempre foi assim ao longo dos anos, a vida dos candidatos ficou ainda mais difícil a partir de março quando um inimigo invisível e traiçoeiro, o coronavírus, começou a assustar não somente os pré-candidatos, mas a população como um todo.

O Tribunal Superior Eleitoral, bem como os líderes no Congresso Nacional, chegaram a cogitar o adiamento das eleições municipais para 2022, coincidindo com as de presidente da República e governadores, mas, depois de tantos encontros e desencontros, fixou-se a data de 15 de novembro para o primeiro turno.

Outro agravante para os candidatos a prefeito e vereador foi a diminuição do prazo para campanha —de 90 para 45 dias—razão pela qual levarão vantagem os nomes mais conhecidos.

Desta forma, os candidatos estão se valendo de todos os meios possíveis e imagináveis para conseguir levar suas mensagens aos eleitores em meio ao ambiente de pandemia.

Assim, os programas no horário eleitoral gratuito contribuem para chamar a atenção dos eleitores, da mesma forma que os debates entre os candidatos a prefeito , como os de quinta-feira, dia 29, na Associação Comercial, e o que a Diocese de Jales programou para o dia 5, quinta-feira, servem de parâmetro para que o eleitor, que é o verdadeiro patrão dos governantes, possa tirar suas conclusões antes de usar a mais poderosa arma de que dispõe —o voto na urna eletrônica.

Diante desse quadro e em face do natural acirramento dos ânimos característico deste final de campanha, a expectativa é que o confronto de ideias se restrinja ao interesse do eleitor/contribuinte e não descambe para o vale-tudo.

Afinal, disputa eleitoral não é briga de rua.