quarta 15 julho 2020
Editorial

Respeito é bom e o povo gosta

Os críticos de futebol ensinam que não adianta só berrar da geral sem influir no resultado; é preciso entrar em campo. 
Como o chamado esporte bretão é uma fonte inesgotável de alegorias que têm a ver com a vida real, a frase do primeiro parágrafo, traduzida para o cotidiano, soa como um incentivo a que os cidadãos participem ativamente da comunidade em que vivem.
Mas, infelizmente, não são muitos os que decidem chacoalhar o limoeiro do imobilismo, preferindo manter-se alheios ao que acontece a seu redor, deixando de opinar nos momentos que precedem grandes decisões. 
Recentemente, a coluna “Contexto”, na página ao lado, em texto do jornalista Luiz Ramires, retratou esta triste realidade.
Na audiência pública realizada na Câmara Municipal no dia 24 de setembro, agendada para as seis e meia da tarde, portanto fora do horário comercial exatamente para permitir a participação dos contribuintes, aconteceu o de sempre: presença de meia dúzia de gatos pingados. 
O mais lamentável é que o objetivo de referida audiência pública era discutir o orçamento municipal para 2020, abrindo caminho para que os contribuintes pudessem opinar ou fazer sugestões. 
Na verdade, não foi a primeira vez. Audiência pública, via de regra, é sinônimo de plateia próxima de zero.  Às vezes, até vereadores dão W.O., como se não tivessem nada com os assuntos em discussão.
Nesta medida, registre-se um fato novo.  Na sexta-feira, a 8 de novembro, no sábado (9) e na segunda-feira (11), a cúpula da administração municipal, à frente o prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) e o vice José Devanir Rodrigues (MDB), fez uma espécie de road show para anunciar o início de obras de infraestrutura.
Acompanhados de secretários municipais e, claro, vereadores, Flá e Garça foram ao Distrito  Industrial I, Jardim do Bosque, Parque das Flores e Distrito Industrial III anunciar aos moradores e aos empresários que a Prefeitura Municipal vai investir pesado na solução de problemas que desafiaram outras administrações. 
Quem esteve presente elogiou o formato adotado pelos gestores municipais pois, geralmente, político só aparece em bairros em véspera de eleições e, pior, para fazer promessas que jamais serão cumpridas.
Na verdade, prefeito, vice e equipe inverteram o processo. Se, como cantou Milton Nascimento, “o artista deve ir onde o povo está”, político também deve fazê-lo.
Ao dar satisfações aos contribuintes, os gestores municipais mostraram respeito por quem paga a conta. Afinal de contas, respeito é bom e todo mundo gosta. 
 Além do mais, quem conquistou o mandato via urna eletrônica deve ser não somente competente no comando da máquina pública, mas também um vendedor de esperanças.         

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