Editorial

Renovar é preciso, mas....

Fechada a urna eletrônica em 15 de novembro e conhecidos os resultados, em tom quase unânime formadores de opinião de todos os matizes e a maioria esmagadora da crítica especializada cantou em prosa e verso o processo de mudança ensejado pela vontade soberana do povo.

De peito justificadamente estufado, qualificados observadores da cena política local saudaram com efusão um fato político relevante: a renovação na Câmara Municipal de Jales.

Na verdade, é para festejar mesmo. Das 10 cadeiras a serem ocupadas a partir de 1º de janeiro de 2021, seis ficarão com estreantes na política, os chamados marinheiros de primeira viagem —Ricardo Gouveia (Progressistas), Enfermeira Carol (MDB), Andrea Moreto (Podemos), Elder Mansueli (Podemos), Hilton Marques (PT) e Bruno de Paula (PSDB), e um veterano, Rivelino Rodrigues (Progressistas), que está retornando à Câmara Municipal depois de se eleger em 2000 e se reeleger em 2004, 2008 e 2012, tendo ficado fora da urna apenas em 2016.

Na prática, portanto, em relação ao atual corpo legislativo jalesense, a renovação atingiu o índice de 70%, algo bastante salutar tendo em vista que a vida pública precisa permanentemente de ar novo, de oxigenação.

Por esta razão, significativos setores da opinião pública, principalmente nas redes sociais, estão batendo bumbo para os novos parlamentares municipais, na esperança de que eles acertem o passo e ajudem a encarar as dificuldades do período pós-pandemia.

Porém, e sempre tem um porém, mesmo correndo o risco de ser chamado aqui e acolá de estraga-prazeres, é bom olhar pelo retrovisor e lembrar que, em 2016, também houve renovação de 70%, tendo debutado nas urnas e se dado bem nomes como o de Pintinho, Deley, Kazuto Matsumura, Bismark Kuwakino, Claudecir Tupete, João Zanetoni e Chico do Cartório.

Não se trata de fazer juízo de valor sobre o trabalho de cada um, mas, da safra de 2016, só houve três sobreviventes do incêndio do dia 15: Deley. Bismark e Zanetoni. Ressalve-se que Chico não disputou a reeleição.

Com ou sem razão, os eleitores reprovaram a maioria dos novatos eleitos quatro anos antes, o que deve servir de advertência para os seis que ainda estão em lua de mel com o povo e só faltam dar autógrafos por onde passam.

Vale lembrar o que disse o deputado federal Roberto Rollemberg após a eleição de 1990, quando, ex-secretário de Governo do Estado de São Paulo, foi batido em sua própria cidade pelo semidesconhecido Vadão Gomes, vice-prefeito de Estrela d’Oeste.

Aos companheiros inconformados com o resultado em Jales, Rollemberg ensinou: “o povo não erra nunca. Quem erra são os políticos”. 

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