quarta 14 abril 2021
Arquibancada

Reforços: obrigação corintiana

Por Lucas Rossafa

Depois de seis jogos sem vencer, sendo que em quatro não conseguiu sequer balançar as redes adversárias, o Corinthians volta a triunfar no Campeonato Brasileiro. Com os três pontos conquistados em Cuiabá, o Timão passa a sonhar novamente com uma vaga no grupo de times que se classificam à Libertadores de 2017.
O resultado positivo diante do Santa Cruz foi fundamental. Não só sob a visão da classificação, mas também pelo lado psicológico da equipe, que, praticamente, jogou em casa. Além disso, o desempenho dentro de campo foi satisfatório, se comparado com as partidas anteriores, sobretudo no sistema ofensivo.
Há mais de um mês sem entrar em campo pelo Alvinegro, Guilherme teve uma oportunidade inesperada de mostrar qualidade e ratificar o porquê foi contratado no início da temporada. A ideia de Fábio Carille em colocar o camisa 10 na vaga do atacante Gustavo, com dores musculares, foi muito boa. Como “falso nove”, mostrou um pouco daquilo que tem de melhor: o passe e a capacidade de finalização.
Contudo, o Corinthians ainda não tem boas opções para compor o ataque. É claro que Guilherme não é atacante de origem, mas é, no momento,a alternativa menos pior. Desde a saída de Vágner Love para o futebol internacional, os paulistas não encontraram uma peça de reposição à altura. Mais: elogiar Marlone é chover no molhado. No razoável elenco corintiano, o meio-campista tem sido o principal destaque, desde a “Era Cristóvão Borges”. Já no gol, Walter é cada vez mais dono da posição. Com merecimento, por sinal!
Diante do América-MG, hoje, em Itaquera, sem Marquinhos Gabriel (suspenso) e com os retornos de Fágner e Romero, Oswaldo de Oliveira terá em mãos um time bem mais motivado e ainda vivo pelo objetivo da competição continental.    Na quarta-feira, já disputa uma vaga na semifinal da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, fora de casa. Uma boa sequência de resultados, ao menos, pode derrubar a desconfiança dos torcedores em sua contratação.
Aos 65 anos, o treinador é uma aposta pessoal do presidente Roberto de Andrade. Será a terceira passagem do comandante pelo Timão. Antes, foi campeão paulista e brasileiro em 1999 e faturou ainda o Mundial de Clubes em 2000. Quatro anos depois, teve nova uma passagem sem sucesso pelo time.
O técnico, entretanto, não é unanimidade na diretoria. Andrés Sanchez, ex-presidente que segue com enorme força nos bastidores do clube, é totalmente contrário à contratação. Eduardo Batista, que já tem acordo para seguir na Ponte Preta na temporada seguinte, chegou a ser procurado, mas não aceitou interromper o positivo trabalho em Campinas.
Um alento: se Oswaldo veio ao Corinthians em busca de firmeza, chegou ao lugar errado. Atualmente, qualquer sequência negativa já é razão para demissão. Porém, nenhum deles percebeu, ainda, que o problema mais grave está dentro das quatro linhas e não fora delas. Para alguns, reforçar é necessário. No clube de Parque São Jorge, todavia, isso já virou uma obrigação.

Desenvolvido por Enzo Nagata