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REFLEXÕES SOBRE O FUTURO DA CIDADE

É preciso avançar...
04 de março de 2018
Nilton Zenhiti Suetugo
por Nilton Zenhiti Suetugo

A história urbanística de nossa cidade nas últimas décadas caminhou sempre numa trajetória paralela à má gestão pública, o que transformou, assim como na maioria dos nossos municípios, em uma caixa de problemas e surpresas.
Felizmente em 1995, com a elaboração do Plano Diretor do Município, proporcionou um controle mais efetivo sobre o crescimento desordenado da cidade, mas nem sempre as leis foram garantias de cumprimento por parte dos nossos governantes e até mesmo da comunidade.
Reflexo direto na atual gestão, quando nos deparamos com graves conflitos urbanos nos seus limites, principalmente de infraestrutura urbana, que afeta diretamente todas as ações de planejamento urbano, aliado também a uma estrutura administrativa precária e desorganizada.
Presumimos que a retomada será lenta e gradual, mas nossa cidade já não suporta mais amadorismo em suas ações e é preciso avançar.
Medidas assertivas como a atualização do Plano Diretor, diretrizes básicas do Plano de Mobilidade Urbana, Plano de Macrodrenagem Urbana e ações voluntárias como a dissertação de mestrado do Profº Dr. José Carlos Ugeda Júnior, sobre a qualidade ambiental urbana de Jales, o posicionamento sólido de quem sofre com as condições precárias de acessibilidade como Anísio Martins Moreira e até doação de serviços profissionais de arquitetas na Revitalização da Praça Euplhy Jalles, trazem em novo modelo de gestão pública, onde nossos governantes devem ouvir atentamente estas ações voluntárias.
Assim, a sugestão do mestrando Thiago Nossa Neto, também foi objeto de atenção do poder público, pois poderá significar avanços em nossos destinos, garantindo direito, deveres e qualidade de vida à toda sociedade.
E tais avanços estão atrelados fundamentalmente na reestruturação administrativa em trâmite, para viabilizarmos economicamente o município e concretizarmos todas as ações necessárias para o desenvolvimento de todos os setores da engrenagem complexa de uma cidade, assim como da Mobilidade Urbana.

INTERVENÇÕES
Intervenções pontuais no quadrilátero central da cidade são necessárias para o cumprimento das diretrizes do Plano de Mobilidade Urbana, cumprindo a hierarquia de pedestres sobre veículos de qualquer espécie, mas nem sempre ações de intervenção são suficientes para amenizar conflitos urbanos, podendo até ampliar ou gerar outros novos.
O próprio quadrilátero central traçado pelo engenheiro Euplhy Jalles, o elevado adensamento de comércio e serviços, e ausência de vias arteriais, interferem diretamente em ações de interrupção de tráfego em vias como nas ruas Oito, Dez, Doze, Nove ou Onze, com instalações de “calçadões”. Mas não impedem que se façam algumas intervenções como “parklets”, faixas elevadas e áreas de descanso e convivência nas esquinas centrais, que proporcionarão mais conforto e segurança aos pedestres.
A descentralização de serviços e instituições públicas, a exemplo do projeto da Cidade Judiciária, seria fundamental para redirecionarmos o excesso de veículos do quadrilátero central, reduzindo significativamente o elevado número de acidentes de trânsito.
Tal exemplo se concretiza com a instalação do Hospital de Câncer no prolongamento da Avenida Francisco Jalles, que deslocou significativo volume de trafego para o local e consequente desenvolvimento do entorno.

CICLOVIAS
Em referência ao estimulo no uso de bicicletas no município são inúmeras questões relevantes que devem ser consideradas para não cometer os mesmos erros primários que colocaram em risco de vida os usuários em inúmeros municípios do país, pela forma desordenada e sem critérios de ciclovias e ciclo faixas.
Questões que se iniciam na educação no trânsito e seguem até a incorreta política nacional do setor automobilístico que continua elevando excessivamente veículos automotores nas vias públicas, em contraponto a lei federal de Mobilidade Urbana.
Acreditamos que todas as ações estruturais para garantia da segurança de pedestres e ciclistas em detrimento à veículos automotores, são essenciais e algumas medidas já adotadas pela atual gestão caminham para proporcionar a convivência harmoniosa entre todas os agentes da mobilidade urbana e priorizar a hierarquia prevista em lei.
Vias coletoras, arteriais ou de trânsito rápido, estreitas, com canteiros centrais reduzidos, trazem sim, graves problemas na implantação de ciclovias ou ciclo faixas, uma vez que tecnicamente não há como oferecer um mínimo de segurança aos seus usuários. Desta forma ao avançarmos com diretrizes básicas especificas na aprovação de novos loteamentos, garantiremos espaços mínimos suficientes para adequar tecnicamente todos os dispositivos necessários para um sistema viário seguro, eficaz e moderno.
Jales talvez tenha sido a primeira cidade no país a implantar uma ciclovia, exatamente nas avenidas João Amadeu e Paulo Marcondes, já há algum tempo, e não entraremos no mérito de sua funcionalidade, mas demonstrar sua capacidade de inovação, desejo de desenvolver e agora de ouvir nossa sociedade.

Nilton Zenhiti Suetugo 
(Engenheiro Civil, Secretário de Planejamento, desenvolvimento econômico e mobilidade urbana)