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Reféns do medo

Perspectivas por Caroline Guzzo
27 de novembro de 2017
Caroline Guzzo
 “As grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que tá nessa prisão...”. 
Assim começo a escrever o artigo, com um trecho da música “Minha Alma” do Rappa, que destaca bem o que vivemos diariamente, afinal, os noticiários mostram regularmente a intensa realidade da violência no país e muitas vezes optamos por ser prisioneiros em nossa casa.
Segundo estudos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2016 foram sete casos por hora de mortes violentas, são 29,9 casos por 100 mil habitantes, equiparando até mais óbitos do que a Síria em guerra. 
Somos reféns do medo, estamos ficando seres humanos desacreditados, nossa esperança começa a ficar escassa. Não se pode confiar mais nas pessoas, pois dentro de casa pai está matando filho, esposa, enteado. Na escola os alunos perdem a paciência e saem atirando. O segurança da creche que interrompeu a vida de inocentes. A moça que gentilmente ofereceu carona para diminuir o preço da viagem e sofreu tristes consequências. Você não consegue mais praticar o simples ato saudável de fazer uma caminhada na rua que pode ser assaltado. O que está acontecendo no Brasil? 
Tantos casos que nos levam a pensar que estamos vivendo uma Era onde o terror e a insegurança estão cada vez mais tomando conta das nossas vidas. Desse modo, passamos a ser menos solidários uns com os outros, pois o medo impede que estendamos as mãos ao próximo com receio de sermos mais uma vítima. Estamos desconsolados com tanta notícia ruim, triste pela violência e sem saber para qual caminho seguir.
 Posso estar sendo radical demais ou pessimista para alguns leitores, mas o sentido deste artigo é refletirmos. Já parou para pensar que não temos tranquilidade? 
Será mesmo que a cadeia é a única solução para os marginais? Já reparou a falta de estrutura familiar e psicológica da maioria dos criminosos? São tristes histórias que levam ao caminho da bandidagem.
Falei há algumas semanas sobre a educação, a base da nossa existência, e reafirmo que é ela que transformaria milhares de vidas jogadas atrás das grades e que poderiam ser recuperadas. Com amor, Deus e educação, acredito que o mundo seria diferente. 
Dessa forma finalizo com trechos da música “Chega” do Gabriel Pensador. “Morreu mais uma menina que falta de sorte, não traficava cocaína e recebeu pena de morte! Mais uma bala perdida, paciência, pra ela ninguém fez nenhum pedido de clemência. Chega! Que mundo é esse? Eu me pergunto!

Caroline Guzzo
(é jornalista)