Editorial

Quem planta colhe

Gestores públicos em todos os níveis sabem desde sempre que dinheiro não dá em árvore nem cai do céu. Para equilibrar as finanças de um ente federativo é preciso ter curso de sobrevivência na selva.

Esse raciocínio vale não somente para prefeitos, governadores e presidente da república como também —e principalmente — para as lideranças comunitárias que dedicam parte de seu tempo à administração de entidades filantrópicas.

Embora preencham o espaço que seria de responsabilidade do poder público, tais instituições, via de regra, só ficam de pé por força da credibilidade de quem as dirige perante os olhos da comunidade.

Para sair do sufoco, é preciso ter também bom relacionamento com os detentores de mandatos bem votados na área de abrangência das entidades.

Este é o caso da Santa Casa de Jales que, graças à capacidade dos administradores que passaram por lá, tem conseguido manter seus compromissos sob controle.

Se assim não fosse, certamente o único hospital geral da cidade, que atende diretamente pacientes de 16 municípios além daqueles oriundos de estados vizinhos, teria ido a pique.

Mesmo agora, em plena pandemia do coronavírus, com a suspensão das cirurgias eletivas e, por consequência, de diminuição do faturamento, o hospital jalesense vem segurando a onda, pagando fornecedores em dia e mantendo a folha de salários sem atrasos.

Nesta medida, é importante registrar o esforço do atual provedor, Carlos Toshiro Sakashita, no sentido de manter nos trilhos um complexo médico-hospitalar herdado de seus antecessores, que funciona 24 horas por dia e no qual orbitam 300 servidores, além de 70 médicos de 16 especialidades.

Consciente da responsabilidade que se exige de alguém que aceita ser provedor de um hospital filantrópico, função não remunerada e que implica, na maioria das vezes, em tirar dinheiro do bolso, Sakashita, assim que assumiu o bastão de Junior Ferreira, tirou o pé do chão e correu para Brasília e São Paulo, apresentando-se aos parlamentares mais votados em Jales a fim de garantir recursos para o hospital.

As sementes que colocou no árido solo da política já começam a germinar. Só neste primeiro semestre entraram nos cofres da Santa Casa R$ 800 mil, decorrentes de emendas dos deputados federais Baleia Rossi (MDB) e Fausto Pinato (Progressistas), R$ 100 mil cada, e Geninho Zuliani (DEM), R$ 600 mil.

E não foi só. A bancada federal paulista, composta por 70 deputados de todos os partidos, fez a divisão dos valores que lhe cabia e, por conta de gestões de Geninho, contemplou a Santa Casa com mais R$ 443.214,00.

Na região, além do hospital jalesense, só o de Votuporanga entrou na partilha.

E fechando com chave de ouro a sequência de boas notícias, anteontem, dia 29, o deputado estadual Itamar Borges (MDB) anunciou mais R$250 mil. Ou seja, quem planta colhe!


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