REGISTRO

Quando o eu e o outro se encontram

O ano começou tumultuado no mundo. Só para recordar, em um mês já houve bomba explodindo em Bagdá; avião sendo derrubado e deixando mais de 170 mortos, após ser confundido com um míssil; o processo de impeachment de Trump ganhando força nos Estados Unidos, que se encontra “em pé de guerra” com o Irã; o coronavírus  se alastrando pelo mundo.
No Brasil, o diálogo entre os diferentes lados politicamente polarizados se tornam cada vez mais difícil, como é percebido nas discussões sobre saúde pública, cultura e educação. Contudo, no interior do Estado do Amazonas, a segunda edição da Missão UNIVIDA Amazônia, da Diocese de Jales, realizada neste mês de janeiro, comprova que através do diálogo e do verdadeiro encontro com o outro, as diferenças são encurtadas ou anuladas. 
Inspirados em valores cristãos, voluntários da Missão UNIVIDA, em sua maioria jovens, dão um belo testemunho de vida, ao deixarem suas casas em período de férias para encontrarem uma cultura diferente, somente interessados em ajudar, aprender, somar esforços e respeitar o “lugar” de seus irmãos, conseguindo vislumbrar como o Reino dos Céus se manifesta aqui na terra. Essa visão se concretiza quando acima de tudo amamos até mesmo quem não compreendemos.
Exemplos como esse se espalham pelo mundo, como a Defesa Civil da Síria, que conta com mais de três mil voluntários. Ao socorrer as vítimas de bombardeios dão uma lição de vida. Com seu lema de um trecho do Alcorão, “salvar uma vida, é salvar a humanidade inteira”, esses voluntários mostram a importância de sempre lutarmos uns pelo bem dos outros, pois somente assim conseguiremos nos entender e solucionar nossos conflitos.
Esses e milhões de outros voluntários no mundo, que se colocam a serviço da vida, ajudando a aliviar as dores do outro, demonstram que não existem limites para promover o bem a quem, provavelmente, nem olharíamos. Por seus exemplos, podemos tirar a lição que muitos parecem ter esquecido, que a humanidade cresce quando, mesmo diferentes, lutamos pelo direito do outro a ser sujeito de sua história e não quando impomos a nossa verdade.
Ernest Hemingway (1899 - 1961), escritor estadunidense, ao escrever “Por quem os sinos dobram”, inspirou-se na famosa frase do poeta inglês, John Donne, “nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo”, mostrando que é impossível viver só no mundo. Dom Bosco,  santo católico, fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales, que dedicou sua vida à juventude, ao proclamar que somos criados no mundo para os outros, nos ensina a sair da nossa realidade para auxiliar os diferentes de nós e se sentirem verdadeiramente livres e dignos e amados. 
A história comprova que o diálogo, o cuidado e o encontro verdadeiro são a melhor forma de resolver nossas diferenças, e sem eles, terrivelmente, todos apenas chegam à destruição. Por esse motivo, também a Campanha da Fraternidade 2020, nos ajudará, a exemplo do bom Samaritano, a refletir sobre nossas ações na vida daqueles que mais precisam de nós,  pois conforme a Carta de São João 4,7-21, aquele que ama a Deus deve amar também o seu irmão.

Jean Ferreira
( Estudante de Teologia e Seminarista da Diocese de Jales)
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