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“Problemas antigos, responsáveis diversos”

por Lucas Rossafa
25 de fevereiro de 2018
Lucas Colombo Rossafa
Todos sabem que o São Paulo vive, há dez anos, uma forte crise política e ideológica. Sem conquistar título desde 2012, o clube do Morumbi sofre para ter uma base bem estruturada, apesar das vendas milionárias nas últimas janelas de transferência, e vive com a rotina de ser coadjuvante nas competições em que participa.
Dentro de campo, Dorival Júnior ainda não conseguiu definir uma base titular confiável, raramente empolga quando vence e tem dificuldades no sistema ofensivo. Em oito jogos pelo Campeonato Paulista, o Tricolor já soma quatro derrotas e apenas sete gols marcados. O aproveitamento de 41.7% no Estadual, porém, têm justificativas.
O treinador, alvo do protesto organizado pela torcida organizada após derrota para o Ituano, não é o único responsável. O presidente Leco, o coordenador Ricardo Rocha e o diretor de futebol Raí também precisam arcar com as consequências. Os mandatários ignoraram Dorival, durante o período de contratações, e desconsideraram um princípio básico: a necessidade de montar um ataque veloz.
Do meio-campo para frente, o Tricolor sofre com a lentidão. Não se vê tabelas, ultrapassagens, triangulações e/ou rápida troca de passes. A única certeza, em pouco mais de um mês de temporada, é que Jucilei, Petros, Nenê, Cueva e Diego Souza não podem jogar juntos. Os volantes marcam bem, mas não se caracterizam pela agilidade na transição. Os três últimos, todos experientes, também não vem empolgando.
Curiosamente, nem Nenê, nem Diego Souza foram pedidos por Dorival. A diretoria, por livre e espontânea vontade, bancou as contratações, mas o preço já chegou cedo. O problema é que não se pensou em como eles poderiam ser utilizados no elenco. Foram escolhidos pelo que haviam produzidos por Vasco e Sport, respectivamente, em 2017.
Mas o comandante são-paulino também tem a sua parcela de culpa. Tem dois jogadores velozes de beirada de sua confiança – Marcos Guilherme e Brenner –, mas insiste em não escalá-los juntos. Nenê vem atuando aberto, mas nem o passe, o melhor fundamento na altura da carreira, tem funcionado. Valdívia, vindo do Atlético-MG, é a outra opção para as alas, apesar de não viver seu auge técnico.
Resumindo: se Dorival Júnior fosse um cozinheiro, ele teria vários temperos de qualidade, mas que, misturados, não formam um prato saboroso.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 4°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
Twitter @lucas_rossafa