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PREFEITO PEDRO CALLADO:

“Ou pagava compromissos inadiáveis, ou investia o dinheiro no asfalto”
31 de dezembro de 2016
Pedro Callado: “a questão do asfalto foi a que mais nos preocupou”
Três dias antes de  deixar a Prefeitura de Jales, o prefeito Pedro Manoel Callado Moraes (PSDB) fez um pequeno balanço de seu período. Indagado sobre o legado que deixa após um ano e 10 meses à frente da administração, ele foi direto ao ponto: só a história pode afirmar com mais precisão se essa ou aquela administração deixou um legado positivo. Eis a síntese da entrevista....(DRJ).

J.J. - Valeu a pena trocar a toga de juiz de direito pelo terno de vice-prefeito e prefeito municipal?
Pedro Callado - Em tudo há uma experiência. Ontem um ex-aluno me trouxe uma preciosidade filosófica, a saber: a boa intenção de hoje será a realidade do amanhã.  Nasnovas funções conheci pessoas com visões distintas da do universo em que convivi por mais de 40 anos. Testemunhei uma nova lógica de vida, que é a da política partidária, bem como o que significa ser um gestor de recursos financeiros inferiores às receitas.

J.J. - Quando foi alçado à titularidade de prefeito, o senhor imaginou que iria encontrar tantos problemas? 
Pedro Callado - A situação de JALES é muito difícil. Encontramos dificuldades de natureza administrativa, financeira e política, todas de domínio público, sendo a mais delicada a de ordem financeira. JALES vem, nas últimas décadas, sendo um daqueles municípios que não conta com arrecadação própria suficiente para todas as suas responsabilidades. Isto quer dizer que os tributos exclusivamente municipais, tais como o IPTU (imposto sobre propriedade predial urbana ), ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza ) e ITBI   ( imposto sobre transmissão de bens e imóveis intervivos ), por si sós, são insuficientes para responder àquelas responsabilidades. Hoje a maior parte da receita de JALES vem dos repasses dos governos federal e estadual, como ICMS, FPM.e convênios. Por isso é que não temos capacidade de investimento com recursos próprios. 

J.J. - O que mais o incomodou no exercício do mandato de prefeito: a cidade esburacada ou nenhuma obra inaugurada? 
Pedro Callado - O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo no relatório sobre JALES referente ao exercício de 2014 revelou que o Município consumia 53,53% de sua receita corrente líquida com a folha de pagamento, sendo que o chamado limite prudencial é de 51,3% e o teto para essa despesa é de 54,00%. Agora, em 2016, com esforço para o aumento da receita, sem aumentar impostos, JALES consome 46,9% de sua receita corrente líquida com o salário de seus servidores. A questão do asfalto é a que mais nos preocupa no momento. Mas, diante da falta recurso financeiro para realizar as ações necessárias, tive que tomar uma decisão:ou pagava, por exemplo, entre outras, aquelas dívidas acima referidas, o salário dos servidores, a contribuição do CONSIRJ e do CORECA, ou atrasaria esses pagamentos para, aí sim, contar com recurso para o asfalto.

J.J. - Faltou apoio dos deputados estaduais e federais com atuação regional?
Pedro Callado - Não posso afirmar isso. Se equívoco houve, eu sou o único responsável. Agradeço todo empenho e preocupação com JALES por parte de nossos Deputados.

J.J. - Em sua avaliação, os vereadores foram justos com o senhor ou aproveitaram a maré para jogar para a arquibancada? 
Pedro Callado - Foram justos, cada qual com sua maneira de ser e de ver o mundo. Cada um expressa o seu sentimento interior. Todos eles sempre tiveram como ainda têm a preocupação de realizar o melhor para a nossa coletividade. Sou muito grato a eles.

J.J. - Qual o legado que o senhor deixa para a próxima administração?
Pedro Callado - Seria muita pretensão de minha parte afirmar que deixei um legado. A história e somente ela é que pode afirmar com mais precisão se essa ou aquela Administração deixou um legado positivo.