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Preconceito

A crueldade de um preconceito
22 de setembro de 2014

Atônito e estarrecido li há tempos atrás em um jornal de São Paulo que em Vitória no Espírito Santo, um garoto de 12 anos suicidou-se e a razão é tão incompreensível quanto a morte de um garoto, que apenas estava começando a sua caminhada pela vida: o preconceito, a falta de amor e de respeito pelo ser humano.
Segundo o jornal publicou, os colegas o humilhavam constantemente com palavras pejorativas como “gay”, “gordo” e outras ofensas. No dia do ocorrido, o jovem foi para a escola e lá mais uma vez, foi recebido por alguns meninos, com as mesmas palavras que tanto feriam o seu coração sem que ele fosse capaz de compreender qual a razão de tanta crueldade, falta de respeito e desamor para com ele.
Machucado no seu amor próprio, vítima desse maldito costume que certas pessoas têm, de difamar, caluniar, acusar e ferir sem medir as consequências de suas palavras e mesmo sem, às vezes, saber o que e de quem estão falando, essa criança tomou a decisão precipitada e insensata de desistir da vida, para desespero dos pais, irmãos e demais familiares que o consideravam um jovem calmo, estudioso e inteligente.
Alguém disse algum dia que “a língua do homem é como abelha: tem mel e tem ferrão”. E isso pode ser comprovado pelos recentes tristes e lamentáveis episódios que nos mostram como tem gente que não se preocupa em ferir os sentimentos alheios.
Em maio passado uma jovem, confundida com outra pessoa, foi morta e cruelmente arrastada pelas ruas do Guarujá (SP) após boatos espalhados na internet contra ela e que mais tarde se revelaram infundados. Também tivemos outro não menos grave incidente, envolvendo alguns torcedores e um jogador no Rio Grande do Sul. Quantos problemas podem surgir por causa de uma atitude impensada, simplesmente porque alguns não sabem respeitar e amar o próximo.
Escudadas numa falsa idéia de democracia de que “eu posso falar o que quiser porque sou livre”, as pessoas que assim agem, são incapazes de avaliar o mal e o resultado desastroso que certas atitudes ou termos infelizes carregados de preconceitos podem causar para a vida de alguém ainda que ditas no calor da emoção ou por brincadeira. A internet está cheia desses episódios, mas na verdade as pessoas buscam atingir os outros com certa dose de crueldade, naquilo que eles têm de mais sagrado: a sua individualidade.
Quando ferimos alguém com palavras impensadas ou julgamentos precipitados, podemos estar deixando cicatrizes permanentes de dor e tristeza em seus corações, ainda que não o percebamos de imediato.
Os acontecimentos aqui citados me fizeram lembrar a história de uma menina que tinha o costume de humilhar seus coleguinhas de escola, ferindo-os com palavras duras e apelidos maldosos.
Certo dia, a professora, depois de ver mais uma dessas atitudes, pediu que a garota tirasse uma folha de papel de seu caderno e a amassasse bem. Depois pediu para que a menina deixasse a folha amassada do mesmo modo que estava ao retirá-la do caderno. Como ela não conseguisse, a professora aproveitou a oportunidade para dizer aos alunos, que a folha em branco representava o coração de cada um e que as impressões que eles deixavam nos outros, boas ou más, não poderiam ser apagadas jamais. Então seria importante que todos tomassem cuidado com suas palavras, atitudes, julgamentos precipitados e com as ofensas feitas, pois se depois quisessem se desculpar, poderia ser tarde demais.
Como ficará a consciência dessas crianças que ainda que por brincadeira, tanto feriram seu coleguinha? Como voltar atrás? Como pedir perdão? Como reparar os danos causados aos familiares e à jovem do Guarujá? Que situação constrangedora para quem ofendeu e quem se sentiu ofendido no caso de Porto Alegre! Ambos completamente arrasados: ela arrependida e suplicando perdão e ele triste e magoado.
A Bíblia nos traz uma palavra muito forte em Tiago 3, 8-12 “A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, é cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procedem a benção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. Porventura lança uma fonte por uma mesma bica, água doce e água amargosa? Acaso, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce.”
Esses acontecimentos tão dolorosos deixam para todos nós uma importante lição: Que procuremos no nosso dia-a-dia fazer com que as palavras que proferimos possam sempre ser melhores que o nosso silêncio e só assim teremos uma sociedade melhor mais justa e feliz.

  Cláudio Christophe
(Professor aposentado)