Editorial

Prá frente é que se anda

Ao contrário dos anos anteriores quando as galerias da Câmara Municipal ficavam lotadas de convidados, familiares e até curiosos para assistir à posse dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos, desta vez foi diferente.

Em nome da obediência aos protocolos sanitários decorrentes da pandemia do coronavírus, a direção do Legislativo jalesense entendeu ser mais prudente mudar o formato daquela sessão solene agendada, a cada quatro anos, para o dia 1º de janeiro.

Ao invés dos chamados representantes da sociedade civil organizada, podiam ser contadas apenas cinco pessoas assistindo à posse —Alziane Rossafa, esposa do prefeito eleito, Sérgio Nacca, marido da vice-prefeita e três profissionais de imprensa, inclusive o diretor deste jornal.

Mas, quem não pode comparecer nem ouviu a emissora oficial ou acessou as redes sociais da Câmara perdeu uma boa oportunidade de constar que nem tudo está perdido.

Os vereadores eleitos, anfitriões daquele espaço democrático, cumpriram o script à risca, elegendo a Mesa Diretora por unanimidade conforme amplo acordo amarrado anteriormente só no fio do bigode, sem puxadas de tapete ou tramas na calada da noite.

Os líderes de bancada, a quem foram concedidos cinco minutos para dizer o que quisessem, também se houveram bem. Em nome dos superiores interesses do município, prometeram não atrapalhar a vida do prefeito, mas todos, rigorosamente todos, usaram o verbo “fiscalizar” como complemento às intenções de colaborar.

A vice-prefeita Marynilda falou com orgulho do pai, José Carlos Cavenaghi, vereador de cinco mandatos, e da mãe, Nirda, que também foi vereadora.

Mas, a mais surpreendente performance foi a do prefeito empossado Luís Henrique Moreira (PSDB). Para quem imaginava que ele fosse usar o discurso da posse para chorar o leite derramado ou reclamar antecipadamente de problemas herdados da administração anterior, como é costume da maioria dos políticos, o pronunciamento do novo Chefe do Executivo fugiu à regra não escrita.

O discurso de LH foi altamente afirmativo, recheado de reminiscências familiares e de infância na cidade natal e que lhe deram parâmetro para ações futuras, inclusive como máximo mandatário do município que o acolheu.

Vale transcrever a frase-chave de sua fala: “nossa gestão será participativa na qual todos serão ouvidos. Só assim construiremos uma Jales competitiva e, ao mesmo tempo, para todos”.

O prefeito empossado permitiu-se até uma licença poética para sinalizar que não estava prometendo terreno na Lua, valendo-se de versos da música “Argumento”, de Paulinho da Viola, ao lembrar que iria fazer como “um bom timoneiro/ que durante o nevoeiro/ leva o barco devagar”.

Resumindo, o tom do pronunciamento foi adequado pelo tom de esperança contido em cada frase. Afinal, como escreveu o saudoso letrista Aldir Blanc, na música “Amigo é pra essas coisas”, imortalizada pelo MPB-4.: “prá frente é que se anda”.  

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