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Porta de entrada

Editorial
21 de outubro de 2018
“A ´política só tem uma porta—a de entrada. A gente entra pelos amigos e não sai pelos inimigos”. Esta frase, de inegável sabor popular, é de autoria desconhecida, mas cabe à perfeição como instrumento de análise dos resultados eleitorais na região de Jales. 
Entre os deputados com atuação parlamentar em Jales salvaram-se do naufrágio de proporções estratosféricas em nível nacional Analice Fernandes (PSDB), quatro vezes a mais votada na cidade natal, e Itamar Borges (PMDB), segundo colocado, além do federal Fausto Pinato (PP), Analice e  Itamar foram vice-campeões estaduais de votos nos respectivos partidos — ela, com 110.089 e ele, com 82.185.
O fato novo do pleito em Jales foi o desempenho dos chamados candidatos locais. Luís Henrique Moreira (Podemos) surpreendeu os analistas obtendo 8.248 votos, ficando na pole-position. Delegado Sakashita (PHS) também fez bonito, com 3.063 sufrágios, terceiro colocado. 
Embora eles não tivessem conquistado cadeiras na Assembleia Legislativa, é inegável que, por conta da votação obtida, Luís Henrique e Sakashita se transformaram em lideranças emergentes.
Examine-se o caso de Luís Henrique. Ele mora em Jales há pouco tempo, exatos nove anos, nunca tinha disputado eleições aqui, limitando sua atuação à militância partidária, presidindo duas agremiações —primeiro o PP e  depois  o Podemos. Já Sakashita entrou na briga mais para   ajudar o jurista Luiz Flávio Gomes (PSD), candidato a deputado federal com o qual mantém laços pessoais e profissionais. 
Desta forma, como os dois tiveram desempenho acima da expectativa, é ilógico imaginar que eles, que trabalharam tanto para tentar uma vaga no parlamento paulista, resolvam arquivar seus sonhos ao primeiro solavanco. 
A trajetória da política sempre foi acidentada. Por exemplo, Edinho Araujo, prefeito de São José do Rio Preto pela terceira vez, perdeu sua primeira eleição, em 1972, em Santa Fé do Sul. Depois, ganhou 11, incluindo quatro de deputado estadual e três de federal.
Também houve pedras no caminho do deputado Itamar Borges. Ex-vereador e ex-prefeito de Santa Fé do Sul, ele tentou ser deputado estadual em 1998 e não chegou lá. Mas, animado com a votação recebida, fez até um almoço em restaurante da cidade agradecendo a votação recebida em Jales.  
O atual prefeito Flá é outro bom exemplo de persistência. Depois de quatro anos em Marília fazendo faculdade de Zootecnia, ele voltou para Jales em 1996 e foi lançado candidato a vereador pelo PFL. Ficou na primeira suplência.  Quatro anos depois  foi o segundo vereador mais votado. Disputou duas eleições para prefeito, uma em 2004, ficando em 2º lugar em eleição com cinco candidatos, e perdeu a segunda no olho mecânico. Em 2016, tornou-se o primeiro político da história de Jales a se eleger prefeito como candidato único.
Enfim, a urna eletrônica abriu as portas da política para Luís Henrique e Sakashita. Cabe a eles entrar ou não.