REGISTRO

Por que meu filho adoece ao ir para a creche?

Em tempos de aumentar a renda familiar para garantir um maior conforto e até mesmo a sobrevivência financeira muitas famílias recorrem às instituições de educação infantil como “escolinhas” ou “creches” para que os filhos possam ter onde permanecer enquanto os pais trabalham, em busca do pão de cada dia. Muito justo essa performance, porém, carece algumas reflexões.
Algo que chama muito a atenção é o fato de muitas crianças, ao iniciar sua trajetória institucional, ou seja, fora do lar, nas escolinhas ou nas creches, surgirem repentinamente quadros como infecções, inflamações de gargantas, febre alta, desarranjos intestinais entre outras complicações. 
Pergunta-se por que isso ocorre? Será devido a instituição? Há como prevenir tais quadros?
A criança, desde o ventre materno, constrói seus vínculos afetivos em primeiro momento com a mãe e logo em seguida, via de regra, o pai. A identidade emocional está sendo formada através dessa interação, assim, mesmo no ventre da mãe ela consegue distinguir emoções, identificá-las, gerenciá-las, expressá-las, mesmo de forma imperceptível, e controlá-las. É um processo complexo que envolve os aspectos consciente e inconsciente. O sentido, o ouvido, o experenciado lhe fornecerão substratos para formação do seu psiquismo que refletirá a personalidade serena ou intranquila, segura ou insegura, dentre outras, antes, durante e após o nascimento.
Entretanto, chegado o momento das separações necessárias e o desvinculação dos seus afetos, não obstante temporariamente, é natural a criança sentir-se “afetada”, e no dizer da psicanalista austríaca, Melaine Klaine, a criança experimentar a angústia de desintegração resvalando em estado de desamparo psíquico, pois ainda não possui repertorio emocional para lidar com esse ineditismo e entender essas emoções confusas, permanecendo, por vezes abalada emocionalmente.
A relações entre as emoções e as doenças tem sido objeto de estudos da biologia celular e molecular, genética, neurociências e estudos da psicossomática. As conexões entre os sistemas neuroendócrino, neurológico e o sistema imunológico estão cada vez mais evidentes. Para simplificar o entendimento eis uma representação: SE- x SI- = D (sistema emocional abalado gera fragilidade no sistema imunológico, defesas diminuem e consequentemente faz campo propício ao ataque de microrganismos e surgimento de infecções).
A criança bem pequena, por ainda não conseguir verbalizar suas angústias, medos e inseguranças demonstra no corpo físico a fragilidade emocional que se encontra, devendo os pais atentarem para esse fato, que é a resposta mais evidente de sentimento do “desvinculo” informando-lhes sobre sua realidade emocional.
Uma forma de preparar o emocional da criança para o ingresso nas instituições é se organizar para a adaptação dessa separação momentânea, demonstrando a ela que a separação é necessária, porém, o reencontro será um momento feliz e seguro.
 A criança aprenderá, pela frustação, que é capaz de suportar a ausência do seu “objeto de amor” fortalecendo sua identidade e autonomia. Logicamente as instituições atualizadas com tais conceitos conseguirão lidar com essa etapa complexa e sensível, porém imprescindível.
Klein, Melanie. A Psicanálise de Crianças. Rio de Janeiro: Imago Editora - 1997.pg 145-168, 196-258

Jane Maiolo

(É professora de Ensino Fundamental, vice diretora de escola infantil, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Formanda em Psicanálise pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho. Idealizadora do Simpósio anual Valorização à vida e projetos sobre Setembro Amarelo.[Janemaiolo@bol.com.br])

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