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Polícia investiga causas do fogo que destruiu mais de 70% do bosque municipal

Por Luiz Ramires
23 de setembro de 2019
Bem mais da metade do bosque municipal foi destruída pelas chamas como se pode ver nesta foto
Um inquérito policial foi aberto para apurar como ocorreu o incêndio que destruiu a maior parte do Bosque Municipal Aristóphano Brasileiro de Souza, na tarde do dia 17 de setembro, terça-feira. A polícia também está investigando os arredores e outros locais para procurar identificar possíveis autores, como informou o delegado seccional Charles Wiston de Oliveira.
O delegado disse que recebeu muitos vídeos e fotos que repassou para o delegado Sebastião Biazi, encarregado das investigações, que também está comandando todo o trabalho realizado pela equipe de peritos, para procurar saber o que provocou o incêndio. Biazi informou que além da abertura do inquérito policial por crime doloso, durante a semana a polícia ouviu moradores das proximidades e o dono do pasto onde o fogo começou, procurando saber quem poderia estar no local naquele momento, inclusive para verificar se foi proposital ou não. Ele pede para quem tiver alguma informação, passar para a polícia investigar.

DESTRUIÇÃO
De qualquer forma, se foi culposo ou doloso, trata-se de um crime de incêndio que a polícia ainda está investigando, como afirmou o delegado seccional, mas o fato é que bem mais de 70% do Bosque Municipal virou cinzas em poucas horas, começando com uma pequena chama, vista exatamente às 12h10, por uma pessoa que comunicou o Corpo de Bombeiros que chegou poucos minutos depois, com uma viatura de combate a incêndios e uma de transportes, pois outras estavam atendendo outros locais.
Como dispunha de só uma viatura, além de um caminhão pipa da Defesa Civil do município e outro da Sabesp não deu para fazer muita coisa e o fogo que começou em um pasto ao lado se alastrou muito rápido, entrando para o centro do bosque e dificultando ainda mais o trabalho dos bombeiros. A vizinhança, incluindo escolas das proximidades e soldados da Polícia Ambiental que tem sede dentro do Bosque tentou ajudar, mas pouco adiantou. A prefeitura informou ainda que funcionários municipais de Jales e Urânia também trabalharam tentando combater o fogo.

AMEAÇAS
O fogo só foi dominado depois das 22horas, mas pela manhã ainda existiam muitos troncos de árvores grandes, de espécies nativas da Mata Atlântica que continuavam ardendo e a área permanece cercada, impedindo o acesso da população.
O cabo da Polícia Ambiental, Nelson Gouvea dos Santos informou que a mata é uma floresta estacional em estágio médio de regeneração, com sete  alqueires. O coordenador da Defesa Civil, Paulo Corrêa disse que a área é de difícil acesso porque é preservada e por isso foi preciso fazer barreiras para evitar ainda mais o avanço das chamas.

RECUPERAÇÃO
O secretário municipal de Planejamento, Nilton Suetugo disse que no momento não há o que fazer, mas a Prefeitura já está adotando algumas medidas para iniciar a recuperação da mata que foi destruída. Ele disse que existem alguns compromissos com a Cetesb, de recuperação da mata ciliar com o replantio de milhares de mudas e está vendo, com a Secretaria da Agricultura se consegue fazer algumas tratativas para a transferência de espécies nativas para o bosque.
Segundo o secretário, existem alguns milhares de espécies de crescimento rápido que podem ser plantados, mas o trabalho principal no momento é controlar possíveis novos focos de incêndio, para não causar mais danos e verificar as condições que o município dispõe para aumentar a segurança no local, de forma permanente, enquanto continua tentando obter os recursos para fazer o trabalho que precisa ser realizado, inclusive por exigência do Ministério Público Federal, com quiosque e uma área de lazer para a população.  

Fotos: Bruno Gabaldi/Internet/Secretaria de Comunicação