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Polícia Federal quer saber até onde vai o envolvimento de prefeituras em ações de funcionários do DAEE

por Luiz Ramires
21 de outubro de 2018
O delegado Cristiano Pádua durante entrevista logo após desencadear a operação
A situação de várias prefeituras da região ainda está sendo investigada pela Polícia Federal dentro da Operação Nereu deflagrada no dia 16 de outubro que envolveu mais de 100 policiais e resultou em duas prisões temporárias e cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em Jales, Urânia, São José do Rio Preto, Santa Albertina, Palmeira d’Oeste e Três Lagoas/MS. 
Os mandados foram expedidos pela Justiça Estadual de Jales e incluíram empresas de engenharia da área ambiental, residências dos empresários e as unidades do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) de Jales e Rio Preto. A polícia quer saber se nos casos já confirmados ou a serem confirmados houve falha ou envolvimento no desvio de recursos do que até o momento estão sendo estimados em cerca de R$ 7 milhões, como afirmou o delegado Cristiano Pádua. 
O delegado confirmou que outros dois servidores do DAEE estão sendo investigados e informou que está orientando sua equipe no sentido de procurar saber com mais detalhes como era dividido o dinheiro desviado, o que inclui investigações no Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios São José dos Dourados e Grande e no próprio DAEE, na região. Os quatro envolvidos estão lotados em Jales e Rio Preto.

O ESQUEMA
O Serviço de Comunicação da PF de Jales informou que os servidores do órgão estatal, em conjunto com empresas de engenharia ambiental e consultoria fraudavam licitações que tinham como objetivo a obtenção de recursos financeiros junto ao FEHIDRO (Fundo Estadual de Recursos Hídricos). O engenheiro E.C.R., um dos servidores do DAEE que foi preso, também ocupa a função de Secretário Executivo do Comitê em Jales. O comitê é responsável pela aprovação dos projetos pleiteados pelas prefeituras da região junto ao FEHIDRO.
O delegado lembrou que as investigações começaram em 2017, quando a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de R.P.V., servidor do DAEE de Jales, que reside em Urânia, em outra investigação relacionada a arma de fogo. Na análise do material apreendido a PF localizou, na memória do celular do servidor investigado e na documentação, vasta quantidade de informações que demonstraram um grande esquema em licitações de Prefeituras da região, que obtiveram recursos financeiros junto ao FEHIDRO.
A PF identificou pelo menos R$ 1,4 milhão que foram aplicados pelo FEHIDRO em prefeituras da região no período investigado. Estes valores são suspeitos de terem sido aplicados mediante fraudes em licitações praticadas pelos servidores do DAEE em conjunto com responsáveis de empresas de engenharia ambiental que atuam na região. 

PROJETOS
Projetos de planos diretores, recursos hídricos, consultorias, dentre outros serviços, segundo a PF estão entre os casos em que as prefeituras pagavam os valores diretamente ao servidor do DAEE, quando na verdade, ele deveria fiscalizar a aplicação destes recursos e não representar as empresas vencedoras das licitações.
Segundo a PF, projetos aprovados e pagos pelas Prefeituras de Aparecida d’Oeste, Dirce Reis, Guzolândia, Mesópolis, Nova Canaã Paulista, Paranapuã, Rubinéia, Santa Albertina, Santa Salete, São Francisco, São João das Duas Pontes, Suzanápolis, Três Fronteiras, Urânia e Vitória Brasil, além de União de Minas/MG estão sendo investigados, pois foram localizados indícios de que o processo licitatório pode ter sido fraudado pelo grupo investigado.
Segundo a Assessoria de Comunicação, o nome “Operação Nereu” foi utilizado em alusão a um deus da mitologia grega que vivia no fundo do mar e era capaz de assumir qualquer forma, sabia de tudo o que acontecia e conhecia todos os segredos, assim como os servidores do DAAE, que tinham informações privilegiadas e poder de decisão na aprovação dos projetos.