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Polícia busca mais envolvidos no rombo na Prefeitura

por Luiz Ramires
05 de agosto de 2018
Prefeito Flá: “Vamos apurar tudo e aprimorar as formas de fiscalização”
A Polícia Federal ainda deve demorar alguns dias para concluir as investigações sobre o rombo calculado entre R$ 5 e R$ 10 milhões, praticado durante pelo menos sete anos pela ex-diretora financeira da Prefeitura de Jales, Érica Cristina Carpi Oliveira, presa na manhã do dia 31 de julho, durante a Operação Farra do Tesouro.
Várias pessoas que ocupavam cargos próximos à acusada foram e continuam sendo ouvidas pelo delegado Cristiano Pádua que quer saber se existem outros envolvidos não só na área da Saúde, mas em outros setores da Prefeitura, como afirmou durante entrevista coletiva no dia da operação.

MAIS RIGOR
Outra frente de investigação está sendo desenvolvida na Prefeitura, por determinação do prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) que durante entrevista coletiva prometeu aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização das contas do município, destacando que se houver mais servidores envolvidos nos desvios de recursos, os mesmos serão punidos. Ele acredita que se houve excesso de confiança, isso não pode mais acontecer.
Mas essa não deverá ser uma tarefa fácil, pois como afirmou o prefeito, a própria Polícia Federal teve dificuldade para entender como as operações efetuadas pela acusada eram realizadas e como tudo funcionava para que ela pudesse desviar tantos recursos, em tono de R$ 100 mil por mês, segundo informou o delegado.
Como o procurador jurídico do município, Pedro Callado já havia comentado, o prefeito destacou que o acompanhamento das contas públicas é rigoroso, feito internamente, inclusive com conselhos municipais e pelo Tribunal de Contas do Estado.
O prefeito afirmou estar muito abalado e não soube explicar como tudo isso aconteceu ao longo de pelo menos sete anos, como afirmou o delegado, mas disse que, se mesmo com todo esse rigor na fiscalização, coisas como essa acontecem, é preciso aperfeiçoar esse sistema. 

RECUPERAÇÃO
Outra preocupação do prefeito é procurar recuperar o máximo do que foi desviado dos cofres públicos para que o prejuízo para a população seja o menor possível.
Na entrevista, o prefeito disse ainda que vai aguardar o desenrolar das investigações para devolver o cargo à secretária de Saúde, Maria Aparecida Martins que teve sua prisão temporária revogada a pedido do delegado que não viu nela indícios de envolvimento no caso e conforme afirmou em entrevista coletiva, logo depois da deflagração da Operação Farra do Tesouro, ela também se comprometeu em colaborar com as investigações.

Sete anos de sangria e sete meses de investigação 

Como diretora financeira da Prefeitura, Érica Cristina Carpi Oliveira ficava com cheques das contas do município, como os do Fundo Municipal de Saúde que usava para bancar despesas pessoais, inclusive em três lojas que tinha com o marido, em Jales e uma em Santa Fé do Sul que foram lacradas pela Polícia Federal. 
Isso vinha acontecendo há pelo menos sete anos, sendo que só em 2018, ela teria desviado cerca de R$ 1 milhão, como informou o delegado federal Cristiano Paula. Foram apreendidos vários cheques e dinheiro, além de seis veículos e uma casa, em uma chácara, na zona rural, avaliada em mais de R$ 1 milhão. 
O delegado explicou que as investigações começaram no início do ano quando a Polícia Federal recebeu denúncia anônima relatando uma evolução patrimonial muito grande dos envolvidos. Como não podia instaurar o inquérito apenas com base em denúncias ele determinou algumas diligências que constataram essa evolução patrimonial muito rápida e que havia grandes indícios de que estava havendo desvios de recursos da Prefeitura.
Como as contas eram da Secretaria de Saúde, os cheques precisavam da assinatura da secretária, Maria Aparecida Martins que foi detida na operação e depois de interrogada, teve sua prisão temporária revogada.
O delegado disse que pediu a revogação da prisão da secretária porque ela está colaborando com as investigações e não se eximiu da responsabilidade de ter sido negligente por assinar os cheques, mas a polícia não identificou indícios de que ela tenha se beneficiado desses desvios.
O delegado deixou claro que iria ouvir todos os funcionários municipais que trabalham no setor da acusada e principalmente seus superiores hierárquicos e os que tinham obrigação de fazer a fiscalização que na sua avaliação foram coniventes ou negligentes. “Se for constatado que alguém se beneficiou do esquema, será acusado de crime doloso e se foi negligente será enquadrado por crime culposo” afirmou.

A OPERAÇÃO
Na operação, além de Erica foram presos seu marido, a irmã e a cunhada, além da secretária que foi liberada. Também foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, um deles em Santa Fé do Sul. Vários documentos e computadores foram recolhidos na Prefeitura e na residência do secretário municipal da Fazenda, por ser o superior hierárquico da acusada.
A operação envolveu 50 policiais federais para o cumprimento dos mandados expedidos pela 5ª Vara da Justiça Estadual de Jales, com parecer favorável do Ministério Público Estadual, conforme informou o Serviço de Comunicação da Polícia Federal de Jales. (Luiz Ramires)