jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Planejamento, remédio contra a inadimplência, receita especialista

por João Carlos dos Reis
08 de abril de 2018
João Carlos dos Reis
“Muitas pessoas gastam dinheiro que não tem,
 para comprar coisas que não precisam,
 para impressionar pessoas que não gostam” 
WILL SMITH, ator americano

Você está pronto para sair da cruel estatística que demonstra 49% da população ativa do Brasil se encontra na condição de inadimplente?
Um exército de mais de 60 milhões de brasileiros.
 Gastam mais do que recebem. Criaram, por motivos diversos, dívidas que não conseguem pagar. Trabalham muito, fazem horas extras, bicos nos finais de semana, mas não conseguem ter a paz e a tranquilidade, tão necessária para nossa boa condição de vida. 
Oficial de justiça batendo à sua porta, a busca de bens para serem penhorados. Telefonemas intermináveis dos seus credores, querendo receber os seus créditos. 
Seguindo algumas regras básicas, com dedicação, disciplina e apoio da família, você vai ter de volta a sua tranquilidade. 
Nossa receita simples começa por PLANEJAMENTO:
PLANEJAR – vem do latim – planus – que quer dizer nivelado. Numa adaptação aos nossos dias, embora pareça um pouco forçada, quer dizer, que um assunto planejado, está colocado num papel plano em superfície lisa. 
Pode parecer forçado, mas demonstra que podemos estabelecer condições que nos guiem em nossos passos futuros.
PROJETAR – também é derivada do latim projectare – que por sua vez vem de projectum, que significa alguma coisa lançada à frente. 
Pode não parecer, mas intuitivamente, todos nós planejamos desde à nossa mais tenra idade. Quando descobrimos que chorando recebíamos o leite materno, já começamos instintivamente a planejar como matar a nossa fome. 
No dia a dia, quando fazemos uma viagem, planejamos o caminho, quando temos uma festa, de antemão queremos saber qual roupa a ser usada, o local, como chegar, como voltar, sem contar com as táticas de como vamos nos aproximar de alguém. 
O plano antecede aos nossos desejos. Intuitivamente definimos qual a melhor forma de atender os nossos desejos. 
Ninguém precisou explicar para um menino a forma de conseguir um determinado brinquedo. Também ninguém precisa ensinar como conseguir um beijo roubado da namorada querida. 
É puro planejamento. Planejamento intuitivo. 
Se temos o planejamento cravado em letras garrafais em nosso D.N.A., porque a nossa vida financeira pode se transformar num trem fantasma: “cada curva é um susto”. Não sabemos o que vai acontecer no mês que vem.
Para atingirmos as nossas metas e desejos, os aspectos financeiros merecem e necessitam um pouco mais do que planejamento intuitivo. Temos que desenvolver o hábito de anotar as entradas e saídas de dinheiro do nosso bolso. 
Mais do que isto. Com base nessas anotações, que representarão a nossa vida financeira passada, vamos criar um ambiente futuro, onde mensalmente representaremos as entradas e saídas pelo período de 12 meses. 

COMO FAZER?
Os craques em EXCEL, tenham um pouco de paciência. Primeiro quero falar às pessoas que nasceram antes dessas maravilhas criadas pelos computadores, que ao tempo que facilitam a vida dos mais novos, atormentam os mais velhos, criando condições que nem a mais bruta raiva resolve, ao contrário. Piora. 
Falando aos não iniciados em computação (este termo já está fora da moda) mas, lembre-se falo para os mais velhos, que não nasceram sabendo, e, também não querem aprender. 
Lembram-se da velha caderneta. Daqueles livros de conta corrente que os donos de armazém tinham, com o nome do chefe de família na capa? Aquela que nossas mães mandavam com a gente para comprar mantimentos na venda?
Esse velho instrumento tem em suas folhas uma coluna para data, outra mais larga para o histórico e mais três colunas menores onde eram registradas as compras (débito) os pagamentos (créditos) e os saldos. 
Use um desses cadernos que ainda são vendidos em livraria. Anote na coluna de débito todas as suas despesas. (aluguel, supermercado, energia elétrica, água, transporte, roupas, telefone, escola, e outras despesas do seu dia a dia) 
Na coluna do crédito, coloque ali, solitariamente, o valor das entradas de dinheiro – salário e outros recebimentos, como alugueis, indenizações e etc. 
A diferença entre a entrada e a saída, tomara que a primeira seja maior que a segunda, é o que sobra ou falta no seu salário. 
Pode ser que sobre dinheiro no seu mês, ou que falte.
Sobrando ou faltando, a vantagem é que você pode conhecer essa situação antecipadamente. 
- Como? Você perguntaria. Não sou descendente da mãe Diná, como posso prever o que vai acontecer?
Vamos lá. Nada disso é adivinhação. 
Você sabe quanto é o seu salário. Você sabe qual é o mês do seu dissídio. Você sabe quando a sua empresa paga a primeira parcela do seu décimo terceiro. Sabe também quais são as suas despesas mensais. Sabe quando vence o aluguel e o prazo do contrato. A escola, o supermercado, a energia elétrica, telefone, prestações e outras despesas são previamente conhecidas por quem paga. 
Se estiver desempregado, sabe também que no seu planejamento faltarão entrada de dinheiro.
Se tiver alguma dificuldade para alinhar as despesas e entradas de dinheiro, faça anotações diárias de toda a movimentação. Se tiver conta em Banco, anote no extrato a natureza e o destino das saídas.
No prazo de três meses, você terá um valor médio de todas as suas movimentações, que pode ser considerado no seu planejamento. 
Se você projetar esses números que sobram ou faltam no seu salário, você conhecerá por antecipação qual será a sua situação financeira nos próximos 12 meses. 
Vou poupar os iniciados em EXCEL. O que colocamos aqui, pode, de uma forma primária ser colocado numa planilha, sendo incrementado com representações gráficas, que tornará o processo mais informativo, mas, não mais eficiente. 
Acho que já temos informações demais por aqui. 
No próximo artigo, vamos falar da diferença entre o que entra e o que sai do seu bolso. Falaremos também da diferença entre despesas e investimentos e da sua capacidade de gerar riquezas. 

Lembrete obrigatório: 

OS CONCEITOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS APLICAM-SE A UMA PESSOA (POBRE OU RICA), A UMA EMPRESA, (PEQUENA OU GRANDE) E A UM PAÍS. 

João Carlos dos Reis  
(Educador Financeiro)
jcreis50@gmail.com