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Planejamento caótico

por Lucas Rossafa
27 de agosto de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Passa semana, entra semana e a situação mantém-se idêntica. Em uma temporada tenebrosa, o São Paulo continua na zona de rebaixamento e ameaçado com o fantasma da segunda divisão. Entretanto, ao contrário das dificuldades emocionais encontradas pelos grandes clubes em situações delicadas, o Tricolor é vítima de um planejamento catastrófico esboçado em janeiro.
A fragilidade psicológica que costuma abalar as principais potências do futebol brasileiro não é o que mais preocupa. Sob comando de Dorival Júnior, oito dos doze pontos conquistados vieram em partidas em que o time chegou a estar em desvantagem, mas conseguiu a recuperação – foi assim contra Grêmio, Botafogo, Cruzeiro e Avaí. Uma equipe com problemas emocionais costuma se abater depois que sofre um gol. O clube do Morumbi, ao contrário, muda a sua postura, passa a ser mais agressivo na marcação, adianta as linhas e, mesmo com um futebol desanimador, na base da superação, tem conseguido se reabilitar.
O que chama a atenção é que o mau momento é consequência de um processo atrasado na formação de equipe. O time aparenta ter um mínimo de confiança e começa a crescer vagarosamente apenas no término de agosto. No mesmo contexto, o treinador precisa ter maior conhecimento sobre o que tem em mãos e as principais características de cada jogador. Para facilitar tal adaptação, Dorival tem utilizado as semanas livres, devido à ausência de competições paralelas, para aprimorar uma formação tática, lapidando um sistema – defensivo e/ou ofensivo – para colocar em prática no dia do jogo.
A resposta é repetitiva e conhecida, mas é obrigatório reforçar. A responsabilidade é dos diretores, cuja mentalidade está em decadência. Não se pode fazer futebol desmontando e remontando elencos em um mês. Na teoria, o São Paulo tem jogadores mais qualificados do que os seus concorrentes para ficar na elite do futebol nacional, mas este atraso na reconstrução iguala o nível por baixo.
Para se recuperar com o ano em andamento e sem chances de vacilar, é fundamental alcançar um nível elevado de maturidade. O apoio da torcida é primordial e tem feito a diferença, mas ninguém escapa da zona de rebaixamento apenas com as energias positivas vindas das arquibancadas. Quando o assunto for sensatez, lembre-sede Hernanes. O Profeta retornou ao Brasil com status de ídolo e tem justificado o seu investimento. Na atualidade, é a principal referência dentro de campo, tanto que todas as jogadas de ataque passam, obrigatoriamente, pelos seus pés.
O caos são-paulino, portanto, não é psicológico. É técnico, fruto de desconhecimento ao se planejar para uma temporada que parecia ser promissora. Como o objetivo de 2017 passa, exclusivamente, pela permanência na Série A, é indispensável somar fora de casa. Na condição de visitante, foram míseros cinco pontos alcançados em onze confrontos – oito derrotas, dois empates e uma vitória.
Nesta tarde, o Tricolor enfrenta o Palmeiras no Allianz Parque, onde jamais venceu desde que a arena foi reinaugurada.Com tantos problemas e soluções cada vez mais escassas, o domingo deve exigir muita paciênciados tricampeões mundiais.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)