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Pesquisadora jalesense explica como a ciência ajuda lidar com o autismo

A professora e pesquisadora Eugenia Maria Pinheiro Ramires lembra que o grau de comprometimento do cérebro do autista varia de sintomas mais leves, como a síndrome de asperger, que não altera a fala e a inteligência.
01 de maio de 2017
Muitos eventos foram programados durante todo o mês de abril, chamado de Abril Azul, para destacar a causa do autismo. Segundo a Organização Mundial de Saúde essa situação atinge 1% de toda a população e as pesquisas mais recentes indicam que ao contrário do que muitos pensam o autismo não é doença. Diante dessas descobertas a pergunta que se faz é como buscar informações para os pais e educadores lidarem com a questão.
A professora e pesquisadora Eugenia Maria Pinheiro Ramires lembra que o grau de comprometimento do cérebro do autista varia de sintomas mais leves, como a síndrome de asperger, que não altera a fala e a inteligência, até os casos mais severos quando a pessoa não consegue manter contato interpessoal e muitas vezes se torna agressiva.
Ela explica que a neurodiversidade que estuda as diferenças neurológicas que precisam ser respeitadas defende que o autismo não pode ser curado. É preciso que as pessoas estudem as formas de expressão dos autistas para que os mesmos possam receber o apoio necessário para terem uma qualidade de vida melhor, vivendo como autistas.
O problema, segundo Eugenia é que poucos casos são diagnosticados, sendo que no Brasil essa falta de diagnóstico atinge cerca de 90% dos autistas, o que dificulta qualquer intervenção relacionada a essa síndrome. Comportamento repetitivo, falta de habilidade para agir socialmente e dificuldade de falar ou lidar com linguagem simbólica são alguns sintomas que podem ser diagnosticados como autismo.

CÉREBRO DO FUTURO
Eugenia cita uma pesquisa realizada na Universidade de Yale com os genes de mais de 5 mil pessoas onde se constatou que os genes do autista não foram eliminados pela seleção natural e que os genes ligados ao poder cerebral excepcional (mais inteligente) também estavam associados com autismo.
Ou seja, no processo evolutivo da humanidade, os genes que tem efeito negativo desaparecem, mas os genes do autismo ligados ao QI estão sendo selecionados positivamente. Em outras palavras, é o cérebro do futuro. Por isso o número de autistas aumenta a cada dia.
Outros estudos, relacionados às zonas de impulsos nervosos começam a dar sinais que indicam como o autismo se desenvolve desde a infância. Esses estudos podem ajudar a explicar alguns sintomas ligados ao autismo, contribuindo para o avanço da ciência no desenvolvimento de terapias capazes de controlar esses impulsos, como destaca a pesquisadora. 
Quem quiser conhecer o trabalho de Eugenia e acompanhar as informações mais atualizadas sobre o assunto pode acessar o blog Floreser Neurodiversidade (projetofloreser.blogspot.com.br).