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Pesquisador promove o turismo rural com uvas desenvolvidas pela Embrapa de Jales

por Luiz Ramires
20 de novembro de 2016
A condução em “Y” ainda é pouco empregada na região
Estruturar uma área para visitação pública e degustação, com uvas, vinhos e sucos é o que Reginaldo Teodoro de Souza começou a fazer em uma propriedade rural adquirida há cerca de um ano, na Rodovia Jarbas de Moraes, próximo ao acesso para Paranapuã. Até aí nada de novo. O detalhe é que Reginaldo já começou a plantar apenas as variedades que ajudou a desenvolver na Estação Experimental de Viticultura Tropical da Embrapa em Jales, onde trabalha como pesquisador há 12 anos.   
Essa ideia que vinha alimentando há quatro ou cinco anos, não é à toa. Ele explica que vem acompanhando essas variedades durante todo o tempo em que trabalha na Embrapa, viajando pelo país para orientar os viticultores e conferir os resultados. Isso também vem acontecendo com esse acompanhamento mais de perto entre os produtores da região, muitos dos quais ele conhece desde quando começou a trabalhar em Jales.
Outro detalhe trabalhado por Reginaldo é a condução das parreiras e a produção das uvas de forma ecológica, com o menor uso possível de fungicidas, ou seja, com menos veneno na lavoura, o que também implica em menos mão de obra e consequentemente mais economia.

VARIEDADES
Na sua propriedade, de três alqueires, ele já plantou três variedades de uvas de mesa sem sementes que são a núbia, escura de bagas grandes, a vitória, também escura de bagas pequenas e outra menos conhecida na região, de cor vermelha, mas que vem dando bons resultados em outras áreas produtoras do país, que é a isis.
Outras variedades que Reginaldo começa a cultivar em sua propriedade são as uvas para suco como a carmem, desenvolvida inicialmente para atender uma demanda no Paraná, mas que acabou se adaptando a outras regiões e a magna que também vem ganhando espaço, inclusive em Mato Grosso.
O objetivo de tudo isso é tornar a propriedade um ponto de atração onde serão mostradas essas variedades de uvas de mesa, para suco e para vinho, de cores diferentes, tornando aquele espaço bastante atrativo, inclusive com outros serviços para os visitantes. Reginaldo já está na fase de teste para a produção de suco e vinho artesanal com as uvas cultivadas no mesmo local.

CONDUÇÃO
O que chama a atenção das pessoas que passam pela estrada que fica bem ao lado da viticultura é a forma com que as parreiras são conduzidas. É a chamada condução em “Y” que é pouco usada na região, embora em outras áreas seja mais comum. Reginaldo preferiu fazer esse tipo de condução com estrutura metálica, mas existem outros materiais como arame e madeira que também podem ser utilizados com sucesso. 
A vantagem desse sistema é a facilidade do manejo para se fazer a condução das plantas, com menos mão de obra, o que também possibilita um aumento da área de produção em torno de até 40%, com a mesma estrutura.

Viticultores começam se interessar pelas novas variedades

O engenheiro agrônomo Sérgio Nishimoto, da Casa de Agricultura de Mesópolis, acredita que finalmente os viticultores da região começam a se interessar na produção das duas variedades consideradas entre as mais importantes desenvolvidas pela Estação Experimental de Viticultura Tropical da Embrapa em Jales. A vitória e a núbia são variedades que já vem ganhando espaço e conquistando produtores de várias regiões do país com o cultivo em larga escala, inclusive para exportação.
Essa constatação foi manifestada pelo agrônomo ao destacar o trabalho da Embrapa na divulgação dessas variedades, com a realização de mais um dia de campo reunindo viticultores de toda a região, no dia 4 de novembro.
A falta de interesse dos viticultores da região em cultivar essas uvas mais econômicas e produtivas é explicada por Nishimoto como uma questão estratégica que agora começa ser reposicionada. Ele lembra que há alguns anos os viticultores da região passavam por uma situação difícil, quando preferiram não arriscar, se limitando a produzir a niágara, que estava entrando na região, enquanto aguardavam os resultados da produção e comercialização da vitória e da núbia em outras regiões. 
Nishimoto lembrou que o maior problema das uvas é com o míldio que exige muitas aplicações de defensivos e que no caso da vitória e da núbia isso não acontece, pois são muito menos propensas a essa doença que mais preocupa os viticultores, dispensando quase que totalmente o uso de fungicidas.
O agrônomo destacou que no último dia de campo a presença dos viticultores foi bem maior que em eventos anteriores e ele já percebeu que muitos já começaram a cultivar essas variedades mais econômicas, mais saudáveis e com maior retorno financeiro. Nishimoto acredita que essas uvas chegaram para ficar, pois já conversou com vários produtores que estão animados com os resultados e a forma de cultivo apresentados no dia de campo. (L.R.)