Arquibancada

Pés no chão

Osasco Audax e Santos começam a decidir, neste domingo, o título do Campeonato Paulista 2016, após as emocionantes classificações nos pênaltis. A final reúne clubes que apresentaram um futebol ofensivo, caracterizado pelo toque de bola refinado desde a defesa.
A equipe osasquense alcança a primeira decisão estadual com muitos méritos. Engana-se quem pensa que o clube presidido por Vampeta chegou lá por acaso. Venceu o Palmeiras e o São Paulo, além de eliminar o Corinthians, em Itaquera, nas semifinais, de uma maneira muita lógica. Como? Jogando futebol. Simples assim. 
O estilo de jogo proposto pelo técnico Fernando Diniz é raro no Brasil. Inspirado na seleção holandesa de 1970, em que os jogadores não guardam posições dentro do campo, o clube do interior é alvo de muitos elogios. O modo de atuar é semelhante às características humanas: coragem e ousadia. Sair com a bola tocada desde o goleiro requer muito treinamento e repetição. Essa estratégia, aliás, foi adotada há três anos, quando o Audax participou da Série A1 pela primeira vez, porém, ganhou destaque nacional somente agora.
Já o Santos, pela oitava vez consecutiva, é finalista do Paulistão. De 2009 para cá, foram quatro títulos e três vices. A classificação sobre o Palmeiras permitiu com que o Alvinegro igualasse a marca do time de Pelé, quando, entre 1955 e 1962, chegou a oito decisões seguidas.
Dorival Júnior vai escalar a mesma equipe das quartas e da semifinal. O plantel do Peixe está longe de ser recheado de boas opções, mas possui um time titular entrosado. Lucas Lima, o principal armador do futebol brasileiro, pode fazer a diferença. Porém, o camisa 20 terá uma árdua missão: se livrar da marcação de Yuri e Camacho, uma das melhores duplas de volante da competição. 
A final do Estadual entre um clube da capital e um do interior tem se tornado rotina. Nas últimas dez decisões, seis “pequenos”: São Caetano (2007), Ponte Preta (2008), Santo André (2010), Guarani (2012), Ituano (2014) e Audax (2016). Dos seis confrontos com os times de menor tradição, o Peixe esteve envolvido em cinco deles. Faturou quatro taças e caiu para o Ituano, nas penalidades. Todo cuidado é pouco.
Aos santistas, enfrentar o Audax não representa nenhum alívio. Pelo contrário. É um time que joga um futebol inovador. É claro que a camisa pesa, entra em campo, pesa para o atleta, mas não define o placar. Aos palmeirenses, são-paulinos e corintianos, sequem bastante, mas não se esqueçam do controle da TV junto às mãos, hoje, às 16h.
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