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Pena que acabou...

Editoral
16 de julho de 2018
Ontem, 14 de julho, a humanidade tinha o que comemorar eis que a data passou para a história como o dia da Queda da Bastilha, quando o povo de Paris saiu às ruas para protestar contra o regime monárquico opressor, dando o pontapé inicial à Revolução Francesa.
Ontem, em nível local, os alunos da Turma B do Cefam se reuniram para o Reencontro/20 anos, na presença de seus ex-professores, coordenadores, além da cúpula da Delegacia de Ensino da época.  
É mais do que justo que o assinante/leitor do Jornal de Jales pergunte: o que tem a ver um fato com outro? Será que o editorialista ensandeceu ao estabelecer um traço de união entre a Revolução Francesa e o reencontro de ex-alunos do Cefam?
Não, nada disso. Não se trata de comparar coisas desiguais, até porque a Queda da Bastilha mudou o mundo e o reencontro de ontem tem significação apenas para os ex-alunos e professores da microrregião de Jales.
O que o jornal pretende afirmar é que, guardadas as devidas proporções, o projeto  Cefam, sigla pela qual era conhecido o Centro Específico de Formação e Aprimoramento do Magistério, representou uma revolução em termos de proposta pedagógica no Estado de São Paulo entre 1988, quando foi criado, em 89, quando começou a funcionar,  e 2005, quando foi extinto.
O modus operandi do Cefam era ousado para a época. Vinculado a uma escola da rede — no caso de Jales, o DOC — o Cefam tinha um corpo docente recrutado entre professores especialistas, experientes e vocacionados.
Quanto aos alunos, para se inserir no projeto eles tinham que passar por uma espécie de rigoroso exame de admissão. Como o Cefam funcionava em regime de tempo integral, o governo estadual pagava uma bolsa de estudos no valor de um salário mínimo a cada um. Quem fosse mal avaliado no Cefam era devolvido à rede regular.
O resultado pedagógico foi espetacular. Valores como vocação, espírito crítico, liberdade de expressão, consciência ambiental e responsabilidade social eram exaustivamente debatidos durante os quatro anos de duração do curso.
A conquista do Cefam para Jales se deu de forma inusitada. Ao receber o deputado federal Roberto Rollemberg (PMDB) em audiência no Palácio dos Bandeirantes, o então governador Orestes Quércia perguntou qual a obra que ele queria para sua região, imaginando pedidos de obras físicas como prédios, rodovias, enfim, algo de visibilidade.
Qual não foi a surpresa do governador quando Rollemberg respondeu de pronto: “eu quero o Cefam em Jales”. Quércia ainda tentou argumentar que o Cefam era direcionado para cidades com mais de 100 mil habitantes. RR insistiu e o governador capitulou.
Se aquela experiência pedagógica tivesse se espalhado pelo Brasil, certamente, hoje, o Brasil seria outro. Infelizmente, em 2005, o Cefam deixou de existir. Pena que acabou...