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Pasto vira recanto ecológico com mais de 400 plantas raras

por Luiz Ramires
06 de janeiro de 2019
Nesse recanto tem de tudo: bichos, aves, muitas flores e mais de 400 espécies raras de frutas, algumas em fase de extinção
Idealizador do projeto que em 2001 transformou a Estação de Tratamento de Esgoto da Sabesp de Jales em um imenso jardim atraindo visitantes de todo o país, após parceria com o curso de Biologia da Unijales coordenado pela saudosa professora mestre Gema Prandi Rosa que lhe propôs um projeto de reflorestamento no local, o atual superintendente regional da empresa, Antônio Rodrigues Da Grella Filho, o Dalua continua envolvido com o que mais gosta: cuidar do meio ambiente.
Todos os fins de semana ele vem para Jales e pega no pesado, nos sábados e domingos pela manhã, em sua chácara, nas margens da Rodovia Euclides da Cunha, onde em apenas 10 anos conseguiu transformar um pasto em um verdadeiro santuário ecológico, com destaque para um projeto especial de cultivo de mais de 400 espécies de árvores frutíferas raras, algumas em risco de extinção, de várias regiões do país e do mundo.
Plantas, aves e animais de várias espécies e tamanhos se misturam andando livremente pela propriedade, onde não falta um lago com vitória régia e até uma pequena mata com algumas centenas de árvores já formadas. Para isso ele estuda e procura plantas que precisam de menos água e podem se adaptar com mais facilidade à região.

RARIDADES
O cultivo de árvores exóticas só aumenta pois Dalua está sempre pesquisando, buscando novas variedades nas regiões produtoras pelo mundo, onde  inclui algumas que começam a ser procuradas pelos consumidores dos grandes centros e que ele pensa até em fornecer mudas para alguém que possa se interessar em produzir em quantidades maiores para atender parte desse mercado emergente.
Os nomes são estranhos ou pouco conhecidos como a carissa que é uma ameixa africana, mamão sírio, santol das Filipinas,  mamoncillo, Cereja de Joinville, achachairu, baobá, mangaba, cagaita, curriola (em extinção), tarumã, gabiroba, veludo branco e veludo vermelho, ucuubá, ubaia (em extinção), bacabá, bacabi, murumuru, carpentaria, mamey, pati (em extinção), tarumã, ajuru, dovialys, mabolo, bacuri açu,  palmito juçara e muitas outras, como as medicinais  copaíba, melaleuca australiana,  barbatimão,  sangra d’água, insulina  e canela de velho.     
Várias mudas e sementes logo estarão disponíveis para ser fornecidas para viveiros de prefeituras ou para quem quiser plantar em seu quintal. A ideia é cultivar o máximo de plantas, principalmente árvores raras para que não sejam extintas e no futuro voltem a ser consumidas como eram antigamente.

VISITAÇÃO
Dalua se prepara para nos próximos dois ou três anos abrir o local para visitação das escolas e até mesmo transformar a propriedade em um ponto turístico para quem gosta de conviver com a natureza e aprender a valorizar as formas de preservação de plantas e animais, em uma verdadeira aula prática de ecologia.
A convivência dos animais com as árvores, o mato e as flores permite o desenvolvimento desse mini parque ecológico sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, pois o fertilizante é produzido com o que existe no local, em forma de compostagem.  As aves e outros bichos soltos não permitem a invasão das pragas e as flores de cores diferentes facilitam o processo de polinização pelos pássaros, abelhas e borboletas.

CATÁLOGO
Dalua ainda não teve tempo, mas pretende catalogar tudo com o nome científico e popular. Também pretende montar um banco de sementes, um borboletário e uma casa dos cinco sentidos para que os visitantes possam entrar em contato com a natureza sentindo a audição o paladar, o olfato, a visão e o tato.
Só com muito envolvimento e dedicação é que se consegue fazer alguma coisa como essa, afirma Dalua, lembrando que dá muito trabalho, mas é extremamente gratificante acompanhar a transformação do local, sempre com alguma coisa diferente para ser integrada.
É por isso que ele continua fuçando e agora está fazendo contato com um amigo em Portugal para tentar obter pelo menos uma muda de sobreiro, de onde é extraída a cortiça, usada para produzir rolha e que só existe em poucos lugares do mundo. Vamos aguardar.