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Parem de nos matar

Por AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO
06 de outubro de 2019
AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO
Não é normal um homem murchar propositalmente o pneu do carro de uma mulher que ele nem conhece só para oferecer ajuda e depois violentá-la e matá-la. 
Não é normal um homem se passar por um motorista de aplicativo, pegar uma mulher a caminho do trabalho em uma avenida movimentada de uma cidade grande e em vez de transportá-la, forçar uma relação sexual, que ela negou e, por isso, foi morta.
Não é normal um garoto de 12 anos matar uma menina autista de 9 anos depois de os dois brincarem juntos em um pula-pula durante a festa em uma escola.
Não é normal. Mas está acontecendo todos os dias e cada dia mais. O Brasil já é o quinto país do mundo em número de feminicídios, homicídios cuja causa principal é o fato de a vítima ser, simplesmente, mulher.
De acordo com o Mapa da Violência de 2015, de 1980 a 2013, quase 107 mil mulheres foram vítimas de feminicídios no Brasil. Só em 2018, foram 1.173 casos. Mas sabe-se que esses números são subnotificados.
Delegacias da Mulher, Lei Maria da Penha, Lei do Feminicídio. Nenhuma destas ações tem diminuído a ira dos homens sobre as mulheres. Há um misto de herança patriarcal, machismo, impunidade, masculinidade tóxica e muita doença psiquiátrica. Mas é preciso estancar esta violência insana. 
Atenção senhores homens, nós não somos sacos de pancada para as frustrações masculinas. Nós não somos objetos que se pode escolher aleatoriamente, pegar na força, usar para o prazer e descartar. Não somos escravas obrigadas a lavar, passar, cozinhar, limpar para o “senhor”. Nós não somos animais de estimação que se mostra para os outros para fazer inveja e depois se prende com coleiras. Não, nós não somos propriedade de nenhum homem.
Somos seres humanos, livres. Podemos escolher com quem queremos ficar e com quem não queremos. Podemos (e devemos) escolher com quem transar. E essas nossas escolhas não dão direito a nenhum homem de tirar nossas vidas. 
Podemos estudar, trabalhar e nos divertir com amigos. Usar minissaia, shorts, vestido, com decote ou sem, de batom vermelho ou não. E nenhuma destas escolhas diz respeito ao namorado, marido ou parceiro.
Podemos gargalhar, falar alto, contar piada e tomar cerveja no bar. Nada disso é sinal para homem algum. Isso se chama liberdade de ser, de existir. Acostumem-se. Estamos no século 21. Aquele que o homem vai chegar a Marte, mas ainda não entendeu que violência contra a mulher é covardia.
Homens, parem de nos matar. Não temos culpa das suas frustrações. Vão se tratar!   

AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO
 ( É  jornalista, professora e gestora do Damásio Educacional em Araçatuba)