jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

Os desafios do governo

por Roberto Gonçalves
14 de janeiro de 2019
Roberto Gonçalves
As redes sociais sacudiram as esperanças da cidadania, cansada do noticiário diário de corrupção generalizada.
Mobilizadas pelas redes sociais, como nunca antes aconteceu no Brasil, a grande massa de eleitores que não tem o hábito de se informar por jornais, revistas ou debates, acreditou no projeto do governo eleito, dando a ele uma votação consagradora.
O governo tem a seu favor a esperança da população, que acredita no cumprimento de todas as promessas, torcendo pelo sucesso do governo, e consequentemente pelo Brasil.
Cidadania com racionalidade é torcer para que os governos tenham sucesso, independente de nossa preferência partidária ou ideológica. Passou a eleição, só nos resta torcer pela vitória do Brasil, esteja quem estiver no governo.
Desde a mais remota antiguidade, governos atingiram grandes picos de popularidade, encerrando mandatos e gestões com rejeições e problemas de toda natureza, porque uma coisa são as promessas de campanha e outra coisa os resultados obtidos no exercício do poder.
Na história da humanidade os maiores e mais queridos ídolos da população, conseguiram elevados picos de popularidade pelo caminho do populismo, seduzindo as massas com promessas difíceis de serem cumpridas.
Nero, grande populista e sedutor de massas, teve Roma em suas mãos, mas, com pouco mais de vinte anos de idade, vivendo uma terrível crise de perda de popularidade, colocou fogo na cidade, fazendo o Império Romano arder em chamas.
No século XX surge a era dos grandes ditadores populistas, promovendo guerras que quase devastaram a Europa. Hitler chegou ao poder prometendo prosperidade e o revanche da perdida guerra de 1914/1918.
Nos grandes comícios onde exercia o fantástico teatro de sua brilhante oratória, perguntava ao povo alemão se queria canhões ou manteiga, ouvindo a massa fanatizada responder em coro: canhões, canhões !!!
Mais poderoso e famoso ditador do século XX, Hitler deu no que deu, tendo que suicidar diante da violenta derrota alemã.
Mussolini, ditador italiano, fascista e aliado número um de Hitler, deixou a Itália em pedaços, acabando fuzilado e pendurado na praça, de cabeça para baixo.
No Brasil, tivemos três grandes lideranças populistas, que levaram o povo na conversa, com postura ditatorial. Getúlio Vargas foi o grande ditador do século XX, seguido de Jânio Quadros, populista e ditatorial que ficou apenas 7 meses no poder, renunciando num ato revelador de sua insanidade. Finalmente, em 1989, surge um filhote emocional de Jânio Quadros, com o mesmo discurso de acabar com a corrupção e proteger os descamisados. Acabou tomando um impeachment, acusado de corrupção. Perdeu o mandato por corrupção aquele que se elegeu prometendo acabar com os marajás. 
A verdade é que o Brasil só será resolvido quando quatro problemas forem atacados de frente, com coragem e determinação. Em primeiro lugar, uma reforma constitucional, acabando com a nomeação política dos juízes do supremo. Impossível consertar um país com um supremo como o nosso.
Em segundo lugar, enquadrar o Congresso Nacional, acabando com as falcatruas da classe política.
Em terceiro lugar, enquadrar o funcionalismo público, aplicando a eles as leis trabalhistas.
Finalmente, em quarto e último lugar, enquadrar as forças armadas, um poder que se julga intocável.
O dia que aparecer um presidente que faça tais enfrentamentos, o Brasil será um país rico, justo e soberano.

Roberto Gonçalves  
(é Psicanalista e Cientista Político)