Perspectivas

Os desafios do governo

As redes sociais sacudiram as esperanças da cidadania, cansada do noticiário diário de corrupção generalizada.
Mobilizadas pelas redes sociais, como nunca antes aconteceu no Brasil, a grande massa de eleitores que não tem o hábito de se informar por jornais, revistas ou debates, acreditou no projeto do governo eleito, dando a ele uma votação consagradora.
O governo tem a seu favor a esperança da população, que acredita no cumprimento de todas as promessas, torcendo pelo sucesso do governo, e consequentemente pelo Brasil.
Cidadania com racionalidade é torcer para que os governos tenham sucesso, independente de nossa preferência partidária ou ideológica. Passou a eleição, só nos resta torcer pela vitória do Brasil, esteja quem estiver no governo.
Desde a mais remota antiguidade, governos atingiram grandes picos de popularidade, encerrando mandatos e gestões com rejeições e problemas de toda natureza, porque uma coisa são as promessas de campanha e outra coisa os resultados obtidos no exercício do poder.
Na história da humanidade os maiores e mais queridos ídolos da população, conseguiram elevados picos de popularidade pelo caminho do populismo, seduzindo as massas com promessas difíceis de serem cumpridas.
Nero, grande populista e sedutor de massas, teve Roma em suas mãos, mas, com pouco mais de vinte anos de idade, vivendo uma terrível crise de perda de popularidade, colocou fogo na cidade, fazendo o Império Romano arder em chamas.
No século XX surge a era dos grandes ditadores populistas, promovendo guerras que quase devastaram a Europa. Hitler chegou ao poder prometendo prosperidade e o revanche da perdida guerra de 1914/1918.
Nos grandes comícios onde exercia o fantástico teatro de sua brilhante oratória, perguntava ao povo alemão se queria canhões ou manteiga, ouvindo a massa fanatizada responder em coro: canhões, canhões !!!
Mais poderoso e famoso ditador do século XX, Hitler deu no que deu, tendo que suicidar diante da violenta derrota alemã.
Mussolini, ditador italiano, fascista e aliado número um de Hitler, deixou a Itália em pedaços, acabando fuzilado e pendurado na praça, de cabeça para baixo.
No Brasil, tivemos três grandes lideranças populistas, que levaram o povo na conversa, com postura ditatorial. Getúlio Vargas foi o grande ditador do século XX, seguido de Jânio Quadros, populista e ditatorial que ficou apenas 7 meses no poder, renunciando num ato revelador de sua insanidade. Finalmente, em 1989, surge um filhote emocional de Jânio Quadros, com o mesmo discurso de acabar com a corrupção e proteger os descamisados. Acabou tomando um impeachment, acusado de corrupção. Perdeu o mandato por corrupção aquele que se elegeu prometendo acabar com os marajás. 
A verdade é que o Brasil só será resolvido quando quatro problemas forem atacados de frente, com coragem e determinação. Em primeiro lugar, uma reforma constitucional, acabando com a nomeação política dos juízes do supremo. Impossível consertar um país com um supremo como o nosso.
Em segundo lugar, enquadrar o Congresso Nacional, acabando com as falcatruas da classe política.
Em terceiro lugar, enquadrar o funcionalismo público, aplicando a eles as leis trabalhistas.
Finalmente, em quarto e último lugar, enquadrar as forças armadas, um poder que se julga intocável.
O dia que aparecer um presidente que faça tais enfrentamentos, o Brasil será um país rico, justo e soberano.

Roberto Gonçalves  
(é Psicanalista e Cientista Político)

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