Editorial

Órfãos

O título acima  poderia sugerir, à primeira vista,algum comentário sobre  o estado de espírito dos companheiros e simpatizantes do prefeito Humberto Parini após a última decisão da justiça relativa ao processo da Facip 97, que lhe custou a perda do mandato.
Mas, não é o que parece. Na verdade, o buraco é mais embaixo.
Em estado de orfandade parecem estar contribuintes de Jales, de todas as denominações partidárias, em relação ao governo estadual,  principalmente depois do road show que o governador Geraldo Alckmin empreendeu pela região na última quinta-feira, dia 28 de julho.
Pela segunda vez em apenas seis meses, o governador  passou por Votuporanga e Fernandópolis. Na primeira, desembrulhou um pacote de bondades — liberação de R$ 4 milhões e 300 mil para ampliação e modernização do aeroporto local. Na segunda, entregou a  ampliação da Escola Técnica, investimento de R$ 7 milhões e 700 mil.Antes, passou por Olímpia, São José do Rio Preto e Nhandeara.
Mais uma vez,  Jales ficou fora do roteiro do  governador,  o que é absolutamente incompreensível tendo em vista a condição de cidade centro de região. Em uma frase, o que acontece em Jales influencia a região.
Se as ausências de Alckmin em Jales se limitassem a este início de mandato, a estranheza de quem já parou para refletir sobre tal fato poderia parecer apenas bairrismo do tipo infantilóide.
Mas, não é o caso.Dá, para entender,  por exemplo que, na campanha presidencial de 2006, Alckmin, candidato tucano,  não tenha posto os pés em Jales,  considerada unanimemente pelas principais lideranças estaduais  como um centro irradiador de tendências?
O mesmo aconteceu em 2010. O candidato, hoje governador, fez campanha em Votuporanga, Fernandópolis e Santa Fé do Sul. Pulou Jales. Este jornal registrou em manchete de capa o W.O. de Alckmin.
Mais: é, no mínimo, estranho que, no processo de duplicação da  Euclides da Cunha , Jales seja a única cidade dentre as que se situam no chamado vale seco daquela rodovia a não ser contemplada com um canteiro de obras da empreiteira contratada para executar o serviço no trecho.
Não se trata de ficar vendo pêlo em ovo, mas não é muita coincidência envolvendo tanto distanciamento de Alckmin em relação a Jales?
Algum leitor poderia perguntar: em que tal distância prejudica Jales? A resposta remete à sabedoria de nossos antepassados: em política, como na vida, quem não é visto não é lembrado. 
Esta é a hora certa do PSDB local, que vem recrutando quadros comunitários da melhor qualidade,mostrar  aos tucanos de alta plumagem que a história política de  Jales merece um pouco mais de respeito e atenção.
Por falar nisso, que tal lembrar ao staff do governo que Jales é a única cidade da região que tem ensino superior público e gratuito, a Fatec, cujo portfólio de cursos precisa ser urgentemente ampliado?

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